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Brusque continua cometendo absurdos, rumo a fim melancólico na Série C

Derrota de virada para o Londrina é a mais abjeta atrocidade imposta pelo quadricolor à sua torcida em 2025

Faltam palavras para classificar a derrota do Brusque para o Londrina neste domingo, 17. Depois de tantas atrocidades às quais o torcedor foi submetido no Augusto Bauer nesta Série C, esta foi a mais terrível. Pior só seria se isto acontecesse com o time lutando de perto contra o rebaixamento.

Não há explicações satisfatórias. Um time não pode estar prendendo a bola no ataque aos 47 do segundo tempo e levar dois gols em três minutos. Era um jogo que, com um mínimo de cabeça e competência, estava ganho. Mas, mesmo se o quadricolor tivesse vencido, não teria merecido os três pontos. O mérito do Londrina é proporcional ao fiasco do Brusque neste jogo.

E não é um problema pontual, não é ponto fora da curva, não é exceção. Não foi um caso do imponderável do futebol quebrando uma sequência positiva. Outras derrotas do tipo, ainda que menos impactantes, são frequentes, são sistemáticas. Têm sido uma tendência.

Desta vez, após um primeiro tempo bom, seguro, do qual saiu aplaudido, o quadricolor foi engolido. Bernardo Franco realmente tentou manter uma válvula de escape pela direita, com Diego Mathias e Adrianinho, mas isto durou pouco.

Alex Ruan também saiu lesionado, Diego Mathias foi para a esquerda e Jean Mangabeira foi para a lateral-direita. As linhas de cinco, seguras num primeiro momento, cediam cada vez mais, até o colapso. E nem sempre haverá milagres de Matheus Nogueira ou bloqueios cinematográficos de Everton Alemão.

Perder dois laterais por lesão não dá o direito de jogar da forma ridícula com que o Brusque jogou o segundo tempo. Parecia ter três jogadores a menos em campo, mas eram 10 jogadores próximos à própria área, sem encaixar um mísero contra-ataque, sem se aproximar seriamente de um segundo gol. Como se o primeiro gol do Londrina não fosse absurdo o suficiente, o Brusque conseguiu sofrer o segundo. Na pressão que o LEC exercia, na pressão pela qual o quadricolor se permitiu passar, o risco era muito grande.

E esta é a pior derrota de virada, não é a única. Em 17 jogos na Série C, o Brusque perdeu quatro partidas após abrir o placar: diante de Confiança, Floresta, Anápolis e Londrina. As duas últimas foram sob o comando de Bernardo Franco. E parece, cada vez mais, que Filipe Gouveia fazia mágica, com sua passagem encerrada nos primeiros momentos em que não conseguia mais fazer tanto com tão pouco.

Claro, o Brusque apronta algumas maluquices ao longo da história e pode até passar à segunda fase ainda, mesmo de forma completamente caótica, quase acidental. Mas se perder dois laterais vai fazer o time virar aquela coisa inofensiva no segundo tempo, nem vale a pena ir a Caxias do Sul (RS) no fim de semana se Mateus Pivô e Alex Ruan ainda estiverem lesionados.

E depois, que se tente terminar 2025 em alta com a Copa Santa Catarina. Porque acreditar em qualquer coisa boa neste resto de Série C está mais difícil que o Brusque voltar a vencer no Augusto Bauer.

Jogar em casa


O Carlos Renaux fez cinco partidas no Augusto Bauer após a reforma. São três vitórias e dois empates, com quatro gols marcados e um sofrido. O suficiente para levar a equipe à final do Catarinense Série B em uma campanha histórica.

O Brusque não vence há cinco jogos no Augusto Bauer, com dois empates e três derrotas, dois gols marcados e seis sofridos no recorte. O suficiente para tirar este time do G-8 do Brasileiro Série C. Na competição, já são mais derrotas que vitórias em casa. Ainda em 2025, o quadricolor já viveu o oposto, com sete jogos sem perder. Agora, não ganha de jeito nenhum. Jogou em casa 16 vezes no ano.

Qual é o problema? É o gramado ruim? É a luz do sol? É o tipo de nó do cadarço da chuteira esquerda do árbitro quando bate um vento nordeste às 17h43 aos domingos, se o público for inferior a 1,4 mil torcedores e o adversário usar uma linha de cinco com um lateral-esquerdo de mais de 1,80m de altura? É um sapo enterrado na marca do pênalti da área do lado do centro comercial? É o time que é bom demais para um gramado tão bobo e feio?

Sem novidades


O presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF), Rubens Angelotti, choveu no molhado em entrevista à Rádio Cidade antes de Brusque 1×2 Londrina, mas em termos mais firmes. Disse que o Augusto Bauer estará "interditado" após a temporada 2025, porque o gramado não tem a certificação FIFA Quality Pro.

"Interditado" é uma palavra mais impactante utilizada pelo presidente para o simples fato de o gramado não atender às regras estipuladas nos regulamentos da CBF e da FCF para 2026. Brusque e Carlos Renaux precisam correr para trocar o gramado. É assim "simples".

Em xeque


Até onde se sabe, por contrato, a SAF não pode sair de Brusque. Mas quando houve problema de estádio para o antigo Vilafranquense SAD em Portugal, a solução encontrada não foi construir estádio, foi sair de Vila Franca de Xira e formar o AVS.

A princípio, o movimento que o Grupo AVS fez em Portugal, deslocando sua equipe em mais de 300 quilômetros, não deverá ser possível aqui. Assim disseram os dirigentes do Brusque associativo. Mas, se não houver solução, ser mandante longe da cidade por algumas temporadas sob a justificativa de não ter estádio disponível em Brusque, pode?

Castelo (ou estádio) de cartas


Com tudo isto posto, é importante lembrar do quão frágil é a situação do Augusto Bauer hoje. Parte do recuo de uma linha de fundo pertence ao imóvel do centro comercial, e seu principal dono consentiu em ceder a faixa de terra e em incluir o bar do prédio como parte da capacidade do estádio. Basta um atrito mais forte e um "não" entre os envolvidos, e a cidade dá adeus aos jogos no Augusto Bauer, mesmo que tenha o gramado perfeito.

Sem mudanças nesta questão frágil, a substituição do gramado é, no momento, a única forma de os clubes poderem jogar na cidade após a temporada de 2025. Esta é a nova novela do Augusto Bauer, após tantas outras nos últimos anos.


Assista agora mesmo!


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