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Brusque precisa de recuperação raríssima na Série C, mas não mostra futebol suficiente

Quadricolor esperou pelo apito final contra a Ponte Preta; na estreia da Copa SC, houve desleixo indefensável

Mais uma vez o Brusque mostrou por que é o time do Grupo C menos cotado ao acesso. Além de ser inferior em quase tudo a seus adversários Guarani, Náutico e Ponte Preta, o quadricolor demonstrou um futebol muito mais pobre do que o aceitável neste domingo, 14. O resultado é a merecida lanterna.

É difícil alguém não ter a clara impressão de que o time foi ao Moisés Lucarelli esperar pelo apito final. E se surgisse uma oportunidade como a que aconteceu contra o Caxias, melhor. Mas não houve momentos de destaque brusquense que não tenham sido defensivos. Não foi falta de dedicação e esforço. Mas, sem ideias, sem qualidade técnica e sem coragem, pouco adiantou.

Ainda assim, a Ponte Preta teve uma atuação apagada e só foi levar real perigo no segundo tempo. Matheus Nogueira fez ótimas intervenções, e um empate teria sido um resultado aceitável. O pênalti esquisitíssimo definiu o placar da partida, e a Macaca pode ter se sentido "compensada" pela arbitragem não ter dado gol, minutos antes, em lance no qual a bola, pela imagem disponível, pareceu ter entrado.

Mesmo com duas derrotas nas duas primeiras partidas, é possível, matematicamente, se recuperar e subir. Mas é raro. De 20 acessos em cinco temporadas com a Série C no atual formato (turno único mais dois quadrangulares), só um foi obtido com duas derrotas na largada: o Amazonas de 2023.

Naquela ocasião, Luizinho Vieira assumiu a Onça-Pintada a partir da terceira rodada. Foram conquistadas não só quatro vitórias consecutivas rumo ao acesso, mas também o título em cima do próprio Brusque no Augusto Bauer.

Como as coisas estão postas, o Brusque nem precisa vencer todos os próximos quatro jogos para subir. Há combinações possíveis de oito, nove ou dez pontos que permitam o acesso.

O Brusque já conquistou a classificação improvável para a segunda fase, com as grandes vitórias sobre Caxias e CSA. A história até traz argumentos favoráveis. Mas é difícil acreditar que uma nova reviravolta aconteça. Há mérito nos bons momentos, mas parecem exceções de um time errático, vacilante. Em 11 jogos sob o comando de Bernardo Franco (nove com ele à beira do campo) são quatro vitórias, um empate e seis derrotas, 39,39% de aproveitamento.

Com tudo isto posto, o acesso é um objetivo pelo qual o Brusque precisa lutar, já que chegou a este momento da Série C. Mas não é obrigação de um time que já cumpriu seus principais objetivos em 2025: não ser rebaixado e sobreviver. Não foram tarefas fáceis, e todos os envolvidos na temporada merecem reconhecimento por isso.

Desleixo


Uma coisa é colocar a Copa Santa Catarina em segundo plano, com o sonho de conquistar o acesso em um grupo dificílimo. Outra é o desleixo total do Brusque em sua estreia na competição, em casa, contra o Santa Catarina. Salvo algumas exceções, o time que estava em campo desrespeitou a competição e a torcida, além de ter sido punido por subestimar a equipe de Rio do Sul.

A atitude displicente não passou despercebida pelo técnico Bernardo Franco. Contudo, ele próprio deveria ter estado à beira do campo e optou por não estar. Sua ausência não é desculpa para a atuação desinteressada da equipe, mas se "a palavra convence, o exemplo arrasta".

É necessário que, dentro do clube, haja conhecimento e respeito pela história. O Brusque é o maior campeão da Copa Santa Catarina, com cinco títulos, ao lado do Joinville.

Independentemente de ser uma competição estadual secundária, ela tem enorme contribuição para o crescimento do Brusque, tanto em troféus quanto em vagas para a Copa do Brasil e para a Série D. O primeiro título da história do Brusque foi de uma Copa SC, em 1992, um mês antes do Catarinense.

Não é um torneiozinho amistoso. É secundário, mas é coisa séria. Em 2025, são 16 equipes, com diferentes objetivos e diferentes abordagens.

Esta é uma oportunidade que aparece para o Brusque levar a sério. Tentar um troféu no primeiro ano da SAF e se isolar como maior vencedor da competição. Embolsar uma grana e seguir disputando a Copa do Brasil, competição na qual o quadricolor esteve presente em oito das últimas nove edições. E para os jogadores que serão escalados, individualmente, é uma oportunidade de se mostrar para a comissão técnica e para o mercado catarinense.

Ainda assim, a primeira partida foi um papelão tragicômico, com o Brusque levando gritos de olé da própria torcida. Quem sabe contra o Sub-20/B da Chapecoense, na Arena Condá, nesta quarta-feira, 17, sejam mostrados postura e resultado diferentes.

Clinton teve chance de ditar outro tipo de jogo, aos três minutos do primeiro tempo, mas parou no bom goleiro Marcos | Foto: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FC

Empate do Vovô


O Carlos Renaux deixou escapar uma vitória importante em seu 112º aniversário, neste domingo, 14. Foi um jogo interessante o 2 a 2 com o Blumenau. O Vovô segue sem perder em casa, mas poderia ter obtido um resultado melhor. Foi um pecado não sair o gol brusquense na jogada de Cássio e no rebote de Eydison, com Gledson fazendo duas grandes defesas.

São dois empates, e agora há uma parada dura contra o Joinville. Primeiro, fora de casa; logo depois, no Augusto Bauer. O JEC vem pressionado, com maus resultados. É fundamental somar pontos nos dois confrontos. O grupo promete ser bastante equilibrado.

Eydison em ação na primeira etapa | Foto: Gleison Ferraz/Agência Mais Impacto

Negação?


O tempo passa e a impressão é de que o Carlos Renaux mostra uma tranquilidade incompatível com o problema do Augusto Bauer para 2026.

A situação é muito clara. Em 2024, o campo sintético instalado era válido para as competições porque o Regulamento Geral de Competições (RGC) de 2024 não exigia o selo FIFA Quality Pro. O RGC de 2025 exige. O campo do Augusto Bauer não tem o selo. Será impedido de receber jogos em 2026, a não ser que seja feita uma troca. É questão de procedimento.

Ou parece haver um estado de negação, ou uma certeza enorme de que, no minuto final, uma conversa aqui e outra ali com FCF e CBF resolverão o problema. Mas nada do que foi dito pelas entidades até agora corrobora com essa hipótese. Antes o contrário.

Além disso, há um problema com a manutenção cara, e o campo vai se deteriorando. É como se eu ganhasse uma Ferrari. Até poderia passear por aí, mas não teria condições de fazer a manutenção devida. É um custo elevado para o Renaux.

Pode tudo


Há um flagrante excesso de atividades no campo do Augusto Bauer, que é um estádio sem prioridades. Aceita tudo. Pelada aleatória de patota, jogos e treinos de time profissional e de base, partidas de Jogos Comunitários, partidas de Campeonato Amador. Isso que a "arena de shows", até aqui, não se confirmou. E a manutenção é pouca. Quem perde é o futebol profissional.

Mesmo se acontecer de o campo sintético ser trocado, será questão de tempo até o estado de conservação se tornar um problema se o uso não for reduzido e se a manutenção não for a adequada.


Assista agora mesmo!


Mini Fazenda Colcci: como tudo começou e por que acabou em Brusque:


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