Índice de mortalidade infantil em Brusque fica na média das últimas três décadas em 2024
Após reflexo da pandemia da Covid-19, índices do município estabilizaram nos últimos três anos
Após reflexo da pandemia da Covid-19, índices do município estabilizaram nos últimos três anos
No ano passado, Brusque registrou 12 mortes de bebês com menos de 1 ano de idade. As principais causas foram alterações durante a gravidez, com seis registros. Os dados são da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC).
Desde 2019, o município conta com o Comitê Municipal de Prevenção dos Óbitos Materno, Infantil e Fetal para investigar as mortes. A enfermeira e coordenadora do comitê, Sheila Neves, explica que o grupo é formado por quatro profissionais, sendo eles ginecologista, pediatra, enfermeiro, um médico que atua em alguma UBS, além dos representantes dos hospitais.
As investigações são feitas independente da morte ter ocorrido em uma unidade privada ou pública. O comitê avalia o óbito como evitável ou inevitável e procura entender as causas que levaram à morte. Elas abrangem as mortes dos bebês e também das mães.
“Procuramos saber o que aconteceu. Se houve um problema durante a gestação, ou um problema no parto e até mesmo após o bebê nascer. Esses dados são importantes para haver um planejamento na Saúde e também para prevenir novas mortes. Nós trabalhamos para que não haja nenhuma morte, mas em comparação com outras regiões, o nosso indicativo é muito bom”, diz a coordenadora em entrevista ao jornal O Município.
O Dive-SC compila os dados da mortalidade infantil em Brusque dos últimos 30 anos. Nesse período, 436 bebês com menos de 1 ano morreram. O ano de 2024 ocupa o 24º lugar na lista.
O ano que lidera o ranking é 2020, com 24 óbitos registrados. Sheila explica que a certidão de óbito dos bebês não consta a Covid-19 como causa da morte, mas que a doença impactou os indicadores. Ela afirma que houve um aumento na mortalidade materna e que o fato das mães estarem com a doença fez os bebês nascerem prematuros.
“Muitas vezes na certidão de óbito vai constar prematuridade extrema, o que é uma consequência da Covid-19. Por ela ter a doença, entrou em parto prematuro. Durante esse período de pandemia, houve vários óbitos nesse sentido. As gestantes não tinham nenhuma outra doença, pegaram a Covid-19 e, pouco tempo depois, quando perceberam que o bebê não se mexia mais, foram até o postinho e viram que ele havia morrido. Por isso houve tantas campanhas de vacinação”, explica.
Na sequência dos dados, estão 2003 (22), 2017 (21), 1996, 2011 e 2013 (todos com 19). Foram registrados 18 óbitos em 2001 e 2018, e 17 em 2014.
Depois, 16 bebês morreram em cada um dos seguintes anos: 1998, 2002, 2012 e 2019. Nos anos de 1999, 2004, 2008, 2009 e 2010, foram registradas 14 mortes. Já nos anos de 1997, 2000, 2015 e 2022, foram registrados 13 óbitos.
Ainda na lista estão os anos de 2005, 2006 e 2023, com 11 mortes cada. Os três últimos anos do ranking são 2016 (seis), 2007 (cinco) e 2025 (dois). Os dados de 2025 estão atualizados até o dia 10 de março.
Os dados estão divididos em dois grupos de doenças. O primeiro grupo é classificado pelo tipo de doença e o segundo pela doença em si. Dentro do primeiro grupo, as anomalias congênitas, que ocorrem no desenvolvimento do feto, estão em segundo lugar, com cinco óbitos. Por fim, doenças do aparelho digestivo são responsáveis por uma morte.
Em relação às doenças, as síndromes de Edwards e de Patau ocupam o primeiro lugar, com quatro mortes. Em seguida, estão as mortes por complicações maternas durante a gravidez, com dois registros.
Da mesma forma, o Dive-SC também apresenta o número de mortes de recém-nascidos afetados por fatores maternos, que não estão necessariamente relacionados à gravidez. Nesse grupo, há apenas um registro.
As outras cinco mortes estão associadas a doenças do intestino, asfixia ao nascer, hemorragia pulmonar, malformações congênitas do pulmão e outras infecções que ocorreram desde o início da gravidez até uma semana após o nascimento.
A coordenadora explica que Santa Catarina possui um índice elevado de malformações no feto durante a gestação e que as mortes causadas por elas são classificadas como inevitáveis, uma vez que as disfunções são incompatíveis com a vida.
“Às vezes as crianças não conseguem nem ficar vivas por muito tempo. O prognóstico nesses casos não é bom. Esse diagnóstico é feito no pré-natal e o bebê deve nascer que tenha UTi neonatal para ter todo o suporte necessário. Por mais que a mãe faça todos os exames, a morte é inerente à doença”, diz.
O Dive-SC também disponibiliza dados sobre a idade tanto das crianças quanto das mães, além do sexo dos bebês. No ano passado, sete bebês com menos de uma semana de vida faleceram. Também foram registradas três mortes entre 7 e 27 dias, e duas entre 28 dias e 1 ano. O total de mortes foi de oito meninas e quatro meninos.
Em relação à idade das mães, a maior parte tinha entre 31 e 40 anos, com sete mulheres nessa faixa etária. Em seguida, estão as mães de 21 a 30 anos (três mães) e de 15 a 20 anos (uma mãe). Por fim, apenas uma mãe, com idade entre 41 e 50 anos, perdeu o bebê.
Apesar dos dados apontarem que a maioria das mortes dos bebês eram de gestantes com quase 40 anos, Sheila afirma que não é possível atrelar o óbito somente à idade, pois há uma crescente de mulheres engravidando cada vez mais tarde.
As principais causas de mortes dos bebês percebidas no pré-natal são infecção urinária e diabetes gestacional.
“É importante as mulheres realizarem o pré-natal para um diagnóstico precoce e para o tratamento adequado. Elas [gestantes] não devem ficar muitos meses sem fazer os exames, porque, caso ela descarte esse acompanhamento, ele provavelmente terá um parto prematuro”. A enfermeira reforça que as gestantes devem realizar no mínimo seis consultas durante a gravidez.
Cinco dos bebês faleceram após gestações prematuras, com idades gestacionais de 32 a 36 semanas. Dois desses bebês nasceram com menos de 22 semanas, dois outros entre 22 e 27 semanas, e mais dois entre 28 e 31 semanas. Apenas um bebê teve uma gestação completa, nascendo entre 37 e 41 semanas. Sete bebês nasceram por cesárea e cinco por parto normal.
A mãe que perdeu o bebê pode procurar as unidades de saúde no município para ter um suporte psicológico nessa situação.
Velho Oeste Bar formou “família” de clientes e foi grande sucesso em Brusque nos anos 2000: