João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Primavera vestida de verão

João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Primavera vestida de verão

João José Leal
Previsão do tempo já foi coisa de pescador, agricultor e de papo de bodega, dos que viviam em frente ao balcão, de copo na mão, jogando conversa fora. Mas, se preciso fosse algo mais que mero palpite, magos, feiticeiros, bruxos, pajés e xamãs, manipuladores de misteriosos rituais, intérpretes de estranhas mensagens decifradas nos desenhos de nuvens e fumaças de fogueiras ou de búzios e cartas sobre a mesa, eram chamados para dizer o que viria pela frente, se chuva ou sol, frio ou calor. E a meteorologia vivia de meros palpites ou da fé dos crentes na força sobrenatural das orações e mandingas.
Hoje, continuamos a dar palpite sobre o tempo. Mas depois de ouvir o noticiário ou consultar os aplicativos de sites baixados em nosso pequeno e mágico tablet que tudo vê e tudo sabe. Sim, hoje, cada macaco no seu galho e previsão do tempo é coisa para meteorologista diplomado em universidade, que assina boletins que nos dizem com precisão o que vai acontecer nos próximos dias e até meses, em matéria de frio e calor, chuva e sol.
É verdade que esses magos dos tempos modernos, com diploma de universidade, também consultam nuvens e fumaças. Mas, são nuvens invisíveis dos céus de um mundo virtual que só conseguimos ver em telas de cristal. Também estudam cartas carregadas de informação. Mas, são mapas fotográficos vindos das alturas dos satélites, que mostram onde estão os ventos quentes ou frios, os cumulus e nimbus cheios de chuva ou o céu límpido e ensolarado.
Então, com certeza científica, esses doutores do tempo fazem previsões com meses de antecedência para nos dizer se o inverno será rigoroso ou ameno, se o verão será escaldante ou de dias mais frescos, se podemos sair de casa sem guarda-chuva, com roupa de calor ou de inverno. No começo deste ano, disseram que teríamos um inverno com algumas ondas de frio. Mas, seria uma estação amena com temperatura acima da média histórica. Também disseram que teríamos uma primavera chuvosa e mais quente. Não deu outra.
A estação das flores e dos cantos dos pássaros chegou no último sábado vestida de verão, com muito sol e calor. No domingo, então, o Brasil das queimadas parecia pegar fogo, com temperaturas passando dos 40 graus em algumas regiões do país. Em Brusque, o primeiro dia primaveril mais pareceu um dia de verão escaldante, com o termômetro batendo na casa dos 35 graus.
Acredito nas sentenças dos homens da meteorologia. Assim, é muito provável que teremos uma estação primaveril mais quente, sujeita a chuvas e trovoadas. Tragédias climáticas, como acabou de ocorrer no Estado gaúcho, infelizmente, não estão fora do radar desses magos do tempo. Tudo, dizem eles, por causa do El Niño, esse moleque dos ventos, das chuvas, do sol abrasador e dos desastres causados por inundações, ciclones ou estiagem prolongada que seca campos, lavouras, mata o gado e muita gente de sede.
É uma triste ironia. A ciência e tecnologia humanas conseguem prever chuvas, trovoadas e inundações, tempo de sol e seca. No entanto, não conseguem nos livrar dos desastres e desgraças da natureza.
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