Jones Bosio faz críticas ao governo Prudêncio e a Raimundo Colombo

Ex-secretário de Desenvolvimento Regional assinou sua filiação ao Democratas nesta terça-feira, 11

Jones Bosio faz críticas ao governo Prudêncio e a Raimundo Colombo

Ex-secretário de Desenvolvimento Regional assinou sua filiação ao Democratas nesta terça-feira, 11

O ex-secretário de Desenvolvimento Regional, Jones Bosio, informou que irá assinou nesta terça-feira, 11, em Brasília, sua filiação ao Democratas (DEM), partido pelo qual deve disputar as eleições municipais marcadas para outubro de 2016. A assinatura com a nova sigla vem pouco tempo depois de Bosio se desligar do PSD, partido que presidia, até então.

“Quero montar um grupo de pessoas, para que eu possa ser o prefeito e administrar a cidade de uma forma conjunta. Querer ser o prefeito, querer ser o presidente da Câmara, às vezes é uma coisa muito pessoal”, afirma, “quero ser o prefeito das pessoas, de um grupo, a governança não se faz sozinho”.

A candidatura dele à prefeitura havia sido ensaiada para ser pelo PSD, sigla do prefeito interino Roberto Prudêncio Neto, mas a falta de entendimento interno soterrou essas intenções. Além da insatisfação com a sigla, Bosio teria que disputar a indicação com Prudêncio e, de quebra, com o ex-prefeito Ciro Roza.

Antes de fechar com o Democratas, Bosio diz ter sido convidado a integrar o PR e o PPS, ambos partidos da base aliada de Roberto Prudêncio. Vendelin Bosio, pai de Jones e presidente municipal do DEM, diz que o partido terá, inevitavelmente, candidato a prefeito.

“E uma nominata completa de candidatos a vereador, até estamos bem adiantados nisso. Estamos fazendo reuniões todos os meses, e de certeza vamos ter candidato, só se acontecer alguma desgraça”.

O Democratas é o partido que mais tem filiados em Brusque, mas isso não se traduziu em votos nas últimas eleições, quando a sigla não elegeu vereadores. Segundo Vendelin, duas coligações estão praticamente fechadas. O partido conseguiu o apoio de siglas menores, como o PRB, o PEN e o PPL. Recentemente, as manifestações de apoio destas siglas foram seladas em encontro suprapartidário.

Em relação aos cenários para as próximas eleições, Jones Bosio avalia que, desta vez, não deve se tratar de uma polarização PT-PSD, como aconteceu nas últimas. “O PT sempre teve uma votação que varia de 8 a 10 mil votos em Brusque, inclusive a da [vereadora] Marli Leandro em 2014, isso é histórico”, avalia Bosio, dizendo que o PT não deve estar nas cabeças em 2016.

“Quem começou essa história do PT em Brusque foi o vereador Valmir Ludvig, lá na década de 1980, e esse é o patamar máximo que eles podem chegar. Tenho muito respeito pelo adversário, mas acho que a eleição vai se polarizar desta vez não com o PT, mas com outros partidos”, avalia. Para ele, a de 2016 será atípica, com cinco ou mais candidatos.

“O Raimundo Colombo nos traiu”

A saída de Bosio do PSD vem carregada com uma série de críticas à sigla em nível municipal e estadual. “Estou muito insatisfeito com o PSD de Brusque, com a administração do prefeito interino, da forma com que está sendo feito, porque não foi isso o acordado, mas muito mais insatisfeito com o PSD do estado”, afirma.

Ele diz que quando foi trazido do DEM para o PSD, o informaram que o DEM deixaria de existir. “Mentiram para mim e, hoje o PSD está querendo rasgar minha identidade. Eu sempre fui um adversário do PT, e o Raimundo Colombo nos traiu. No segundo turno das eleições, apoiou a Dilma, e agora na inauguração da ponte de Laguna fez discurso aclamando-a”.

Bosio diz que o governador proíbe funcionários do governo do estado de criticar o PT e a presidente e que da mesma forma age o presidente do partido, deputado estadual Gelson Merísio. “Eu não vou rasgar minha identidade e ser pressionado pelo PSD a ter algum contato para uma possível aliança com o PT, em Brusque”, disse.

Questionado se há alguma ala do partido que cogita aliança com o PT, ele diz que sim e que “o próprio governador está totalmente amarrado com a presidente”, sugerindo que o PSD estadual orientará os diretórios a coligações pró governo federal.

A essa “devoção”, ele atribui os recursos injetados pelo governo federal no estado. “Me diga uma obra do governo do estado que está sendo feita com recursos do estado. Nenhuma. Tínhamos R$ 10,5 bilhões que são do governo federal. A duplicação da SC-486 é do governo federal, a barragem de Botuverá é do governo federal. O governo Raimundo Colombo é refém do PT”.

“Roberto está preocupado com a eleição”

Em relação ao PSD municipal, Bosio também tem suas críticas. A primeira delas refere-se à eterna guerra entre aliados de Paulo Eccel e de Ciro Roza. “Agora voltam a discutir assuntos que estavam mortos e enterrados, como o relógio da ponte”.
Ele diz que, mesmo estando no governo, o PSD não é favorito para vencer a próxima eleição, devido à sua forma de governar. “A governança não pode ser feita sozinha. Quando começamos o governo interino com Roberto, era com um grupo, hoje é feita só, com duas ou três pessoas. Se não planejar [o governo], não vai ser favorito”, pontua Bosio.

O ex-secretário afirma que “não há planejamento na prefeitura hoje”, e que “o que sustenta a prefeitura hoje e que deixa ela erguida são os secretários, que tem bons, e alguns vereadores, que dão o suporte ao prefeito”.

“O prefeito não tem planejado. Ele tem planejado uma arquitetura da sua eleição. Ele está muito preocupado com a eleição direta que deve acontecer, e com a eleição do ano que vem, e acaba deixando a prefeitura de lado, deixando as pessoas de lado, e passa a não ser mais o favorito”, conclui Bosio.

jones bosio

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