Neste ano, a Maibaum completa uma década em Guabiruba. Quando foi erguida a primeira Árvore de Maio, em 1º de maio de 2008, era algo exclusivo do município. Fabiano Siegel, um dos coordenadores do projeto, conta que, pelas pesquisas, foi a primeira do Brasil.

A transposição da tradição da Maibaum da Alemanha para Guabiruba teve participação direta de Siegel, Vandrigo Kohler e da Associação Artístico Cultural São Pedro. Em 2006, eles viajaram para Baden-Württemberg, mais especificamente a cidade de Karlsdorf-Neuthard.

Siegel e Kohler já eram envolvidos no resgate do Pelznickel e tinham “olho” para o lado artístico. Certa noite, Siegel deparou-se com a Árvore de Maio. “Achei interessantíssimo quando fui a pé para a casa onde o Vandrigo estava hospedado”, lembra.

Intrigado, Siegel perguntou aos habitantes locais sobre o curioso mastro. “Disseram-me quando era levantado, como faziam e sobre a festinha que acontecia. Bati várias fotos e comentei com o Vandrigo”, explica.

Nascia ali, na curiosidade da dupla, o projeto da Maibaum. Assim como o Pelznickel colocara Guabiruba em evidência por sua singularidade, a ideia deles era, também, que a Árvore de Maio fosse algo característico da cidade.

Na época, era algo tão novo que não existia um guia de produção ou algo em que se basear. Kohler explica que o levantamento foi todo feito em imagens da internet de Maibäume da Alemanha.

Vídeos, fotos e força de vontade juntaram-se para erguer a primeira Maibaum de Guabiruba. Dez anos anos depois, a Árvore de Maio se integrou à cidade e até virou ponto de referência: “a rotatória da Maibaum”.

Atualmente, existem Maibäume em cidades catarinenses como Águas Mornas, Blumenau, São Pedro de Alcântara, Treze Tílias e Witmarsum. Algumas fazem tudo sem máquinas, como Guabiruba, outras não.

A primeira
Quando voltaram da viagem em 2006, Kohler e Siegel passaram a pesquisar. Em 2007, começou a preparação para o erguimento em 1º de maio de 2008.

“Nosso aprendizado foi em cima de fotos da Alemanha. Foi tudo visual, não teve cálculos de como levantar. Pegamos fotos no Google, na época, e fomos inventando, tanto que tivemos que refazer a base agora. Não pensamos no futuro”, diz Kohler.

A primeira Maibaum media 15 metros. Na Alemanha, o mais comum é usar pinheiros. Em Guabiruba, a madeira nativa escolhida foi o eucalipto e tem sido assim desde então.
O projeto enfrentou dificuldades em vários campos. De um lado, havia a incerteza sobre como levantar o mastro; de outro, a viabilidade financeira.

Siegel e Kohler incluíram 30 empresas no projeto: uma de cada ramo de atividade e mais algumas que são consideradas amigas da cultura na cidade. Hoje, os dois lembram que, inexperientes, fizeram os cálculos errados e foi “suado” para fechar as contas.

Uma Maibaum exige dinheiro para a confecção das placas, para sua retirada ao final dos cinco anos, por um guincho pago e para as limpezas periódicas. Por isso a importância dos patrocinadores.

O Município acompanhou o erguimento da primeira Maibaum. A curiosidade aflorava entre os moradores, que foram ao local para acompanhar a façanha. Kohler e Siegel lembram que foi difícil erguê-la, mas, com ordem e coordenação a árvore foi levantada.

A segunda
Dita a tradição que, na véspera do Dia do Trabalhador, a Maibaum pode ser roubada. Em Guabiruba, no dia 30 de abril, é feita uma festinha em torno da árvore, inclusive nos anos em que ela não é trocada. Há dez anos essa tradição é observada.

A segunda Maibaum foi erguida em 2013 e tinha 17 metros de altura, 2 a mais do que a anterior. O projeto cresceu e foram 42 placas nesta árvore.

Outra mudança foi que as placas passaram a ter dupla face – ou seja, pintura dos dois lados. Na primeira, havia somente para a frente. O grupo já tinha experiência, por isso foi mais fácil erguê-la.

A reportagem também esteve nesta festa. À época, informou que cerca de 300 pessoas participaram das festividades. Ajudaram a erguer a Maibaum, que pesava 800 quilos, aproximadamente 50 homens.

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