Compra de votos em Guabiruba: moradora que recebeu brita diz que pedido foi “uma brincadeira”

Ela alega que não sabia da "procedência ilícita" da carga de brita recebida; outros réus apresentaram defesa

Compra de votos em Guabiruba: moradora que recebeu brita diz que pedido foi “uma brincadeira”

Ela alega que não sabia da "procedência ilícita" da carga de brita recebida; outros réus apresentaram defesa

Os réus acusados pelo Ministério Público de participar de esquema de compra de votos em Guabiruba já começaram a apresentar suas defesas à Justiça e, nesta semana, uma das pessoas acusadas de ter recebido benesses em troca de votos na eleição de 2012 aceitou acordo para pagar multa e se livrar do processo.

Do acordo oferecido pelo Ministério Público a 23 réus, somente uma moradora, dos que foram citados, aceitou até agora.

À Justiça, a defesa da moradora não negou ter recebido a carga de brita, mas nega que isso tenha ocorrido em troca de votar no vereador Haliton Kormann. Ela diz que, à época, Kormann apareceu na sua casa e perguntou se precisava de alguma coisa.

Ela diz que estava na companhia de amigas, e que estas “fizeram uma brincadeira com o então candidato dizendo que poderia trazer um caminhão de brita ou de areia”.

“Como tudo não passou de uma brincadeira, a ré jamais imaginou que o candidato a vereador realmente tivesse levado a sério o que suas amigas haviam dito”, afirma a advogada Vanessa Nicoletti.

Contudo, a moradora relata que passado dois dias do ocorrido, apareceu na residência uma carga de brita enviada pelo então candidato. Ela diz que não estava em casa na hora, e ficou surpresa ao perceber, quando chegou em casa.

A defesa garante que a moradora não efetuou o pedido da carga de brita, e que jamais iria imaginar que uma brincadeira de suas amigas seria levada tão a sério.


“A compra votos é rotineira em Guabiruba”

A advogada afirma que sua cliente, por confirmar ter recebido a carga de brita, aceita a proposta de acordo formulada pelo Ministério Público, devolvendo o valor da carga aos cofres públicos, “por ser de Justiça”.

Além disso, a advogada afirma na petição apresentada à Justiça que “a compra de votos no município de Guabiruba é uma situação rotineira que ocorre em cada ano eleitoral, onde cidadãos recebem bens e até valores em dinheiro que são oferecidos por candidatos para conseguirem a vitória na campanha”.

“Ocorre que a ré, além de não ter efetuado o pedido da carga recebida jamais imaginou que ela havia sido adquirida com o desvio de verbas do erário do município, posto que jamais se beneficiaria do desvio de referidos valores”, justifica Vanessa. “Além disso, a ré recebeu a carga de brita de boa-fé, sem saber que havia sido paga da maneira que foi”.


Advogado diz que lista não prova nada

O advogado Gilvan Galm representa 15 dos 30 réus da ação civil pública, e apresentou uma petição na qual solicita que a Justiça rejeite as acusações contra seus clientes.

Ele representa, além de cidadãos acusados de terem vendido o voto em troca de cargas de areia e brita, também o vereador Haliton Kormann, o ex-secretário de Obras, Clodoaldo Riffel, e o candidato a vereador Osmar Francisco Demétrio.

A defesa deles classifica a acusação como “um grande equívoco jurídico”. O advogado alega que a lista de beneficiários de cargas de areia e brita encontrada na sede da Zucco Terraplanagem foi produzida de forma unilateral, ou seja, sem a participação dos seus clientes.

Isso, conforme o defensor, significa que o “o rol com o nome dos requeridos [réus] pode ter sido engendrada para atingi-los sem motivação”, e que “deveria ter sofrido a análise minuciosa e criteriosa antes dos listados terem seus nomes incluídos na presente ação”.


Candidato a vereador nega compra de votos

A defesa do então candidato José Vicente Baron, também acusado de oferecer cargas de areia e brita em troca de votos, foi outra que apresentou suas contestações à Justiça.

Seu advogado diz que ele “nunca ofereceu qualquer espécie de material a quem quer que fosse, muito menos em troca de votos”. Ele afirma que o nome de Baron foi incluído na denúncia com base em alegações de terceiros, as quais foram classificadas como “simples e infundados argumentos, descabidas alegações de pessoas bastante simples”.

Segundo a defesa, não há no processo nenhum documento que comprove que Baron tenha autorizado ou determinado a entrega de material e que “não existe nenhum documento que conste seu nome ou assinatura”. A defesa pede que a denúncia seja sumariamente rejeitada.


O que disseram os denunciados

Procurada, a Terraplanagem Zucco enviou nota informando que “a empresa e seus diretores negam de forma veemente a prática de quaisquer ilícitos, motivo pelo qual são infundadas todas as acusações formuladas pelo Ministério Público na ação penal, sendo que todos os esclarecimentos necessários serão prestados à Vara Criminal de Brusque”.

Clodoaldo Riffel, interrogado pelo Ministério Público, negou a prática de qualquer ato ilícito. Os candidatos José Vicente Baron e Osmar Francisco Demétrio também negaram veementemente terem participado de qualquer esquema de compra de votos. O Município Dia a Dia não conseguiu localizá-los para mais esclarecimentos.

Haliton Kormann, único dos indiciados que possui mandato, nega veementemente ter participado de qualquer esquema de compra de votos, e garante que jamais ordenou a quem quer que seja que pedisse votos em seu nome, em troca de benesses. “Não sei o que aconteceu ali, se é a oposição, eu não mandei nada, eu estou tranquilo. Não fiz isso, não tenho nada a ver”, afirma.


A acusação

Conforme a acusação do Ministério Público, moradores de Guabiruba receberam cargas de areia e brita em troca de votos; os relatos são de que o material foi entregue pela Zucco Terraplanagem, a pedido da Prefeitura de Guabiruba, em 2012, em esquema considerado fraudulento, visto que a empresa foi contratada para serviços de terraplanagem.

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio