Negligência dos pais lidera ocorrências de violência contra criança

Violência psicológica, agressões físicas e abuso sexual também estão entre os casos registrados pelo Conselho Tutelar

Negligência dos pais lidera ocorrências de violência contra criança

Violência psicológica, agressões físicas e abuso sexual também estão entre os casos registrados pelo Conselho Tutelar

Brusque registrou desde o início deste ano 345 denúncias de maus tratos contra crianças. De acordo com o Conselho Tutelar, a principal ocorrência registada foi a negligência: 133 casos. São incluídas neste tipo de denúncia todos os casos em que há omissão dos pais em garantir as necessidades básica para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Violência psicológica, agressões físicas e abuso sexual também estão entre os casos mais recorrentes.

“Pelo fato de ser uma forma de violência muito abrangente, é também a mais comum. A ocorrência da negligência é um resultado direto da falta de estrutura familiar e também se agrava com as deficiências no planejamento e execução de políticas públicas na área.”, explica Nathan Krieger, conselheiro tutelar do município.

Para Ademir Bernardino, coordenador do curso de psicologia da Unifebe, esse tipo de ocorrência pode acontecer em diversas famílias, independente da classe social. “É possível encontrar esses casos também entre as pessoas mais ricas. Existem muitos pais que compram eletrônicos de última geração para seus filhos, matriculam nas melhores escolas, mas não tiram um minuto para cuidar da criança, para dar atenção e carinho. Isso também é negligência, que pode apresentar inúmeras consequências no futuro”, explica.

Entre os casos registrados, a violência psicológica e agressões físicas tiveram 82 e 76 denúncias, respectivamente. O abuso sexual, que abrange a tentativa ou consumação de estupro, teve 40 casos na cidade em 2014.

Esses três tipos de agressões, são aquelas que podem trazer as piores consequências para o desenvolvimento dessas crianças, fazendo com que se tornem adultos violentos, apáticos e depressivos. Além disso, o Conselho Tutelar registrou também casos de bulling e discriminação, que juntos, somaram 14 denúncias.

“É preciso que os pais entendam que toda criança precisa de limites, mas não precisa apanhar para isso. É possível educar sem agressão. É possível ensinar o respeito sem precisar ameaçar”, completa Bernardino.
Consequências do abuso infantil

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta o abuso sexual infantil como o segundo caso de violência sofrido com maior frequência, no Brasil, por crianças até nove anos de idade. Em Brusque, esse é o quarto caso mais recorrente. Para o psicólogo Ademir Bernardino, cada abuso sofrido na infância tem diferentes consequências.

“Basicamente, quando a criança está sofrendo a violência física ela tem uma tendência a se tornar violenta com os colegas de classe, apática e apresenta problemas de aprendizado na escola. Já a violência psicológica a criança fica triste, demonstra insegurança e isolamento das demais pessoas”, explica.

No caso do abuso sexual, o comportamento da criança também pode ser observado na escola, mas principalmente por familiares. Muitas delas passam a ter um comportamento inadequado às fases de desenvolvimento, brincadeiras agressivas, regressão a um fase anterior a agressão sexual, como voltar a fazer xixi na cama, por exemplo.

Independente da agressão sofrida, é necessário o apoio de pessoas próximas e cuidados médicos, como acompanhamento psicoterapêuticos e em determinados casos, o uso de medicação. “Tem pessoas que hoje são adultas e sofreram algum tipo de violência na infância e não fazem ideia do mal que sofreram psicologicamente. É importante que se observe isso. Depressão, desejo de suicídio, dificuldade de relacionamento e sentimento de culpa, são alguns dos exemplos de que é hora de pedir ajuda”, declara.

Outro ponto destacado por Bernardino é que aqueles que sofrem a agressão, podem se tornar futuros agressores. Existem casos de pais que agridem os filhos, porque ele foi agredido um dia. Bernardino destaca que há casos ainda mais preocupantes, como quando a pessoa que é abusada sexualmente na infância e se torna um pedófilo no futuro.
Combate ao abuso infantil

Em 19 de novembro foi comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Abuso Infantil. Este ano, o país ficou chocado com a morte de um menino de 11 anos no Rio Grande do Sul. O crime inspirou a aprovação de uma lei de 2003, conhecida como a Lei do Menino Bernardo e visa proibir o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis ou degradantes na educação de crianças e adolescentes.

O nome foi escolhido em homenagem ao garoto gaúcho Bernardo Boldrini, de 11 anos, cujo corpo foi encontrado no mês de abril, enterrado às margens de uma estrada em Frederico Westphalen (RS). O pai e a madrasta são suspeitos de terem participação na morte do garoto.

Para denunciar casos de violência contra crianças basta ligar para o Conselho Tutelar da cidade ou no Disque 100, que recebe centenas de denúncias por dia e direciona às delegacias de polícia.

Tipo de maus-tratos / Total de janeiro a outubro de 2014
Negligência 133
Violência psicológica 82
Violência física 76
Violência sexual 40
Bullying 8
Discriminação 6

Fonte: Conselho Tutelar de Brusque

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