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A casa do Cônsul Renaux

Recentemente, Luciano Hang afirmou seu interesse em preservar a casa como memória de Carlos Renaux. A Vila Goucky passaria a chamar-se ‘Casa do Cônsul Renaux’. Da lista de casas históricas da Profa. Jaqueline Kühn, do Colégio Cônsul, ele é pioneiro a preservar a arquitetura! 

Quem foi o Cônsul Renaux? Carl Christian Renaux fez residência na Praça Schneeburg, onde está a estátua de Malinverni Filho. O monumento traz sua contribuição ao Santuário Azambuja; Hospital Arquidiocesano; Tiro de Guerra. No Palacete, Renaux abriu os negócios e instalou os primeiros teares de tecido de Brusque. Eram teares de madeira, como o da Casa de Brusque, feito por imigrantes da Polônia. 

Paulo Kons cita os marceneiros irmãos Bepi e Francisco Pruner que auxiliaram os tecelões Karl Gottlieb Petermann; Gottlieb Tietzmann; Franz Kreibich; Wilhelm Jakowsky; Julius Haake; Alvin Schäffel; Eduardo Franz; Gustav Schlösser. (Gevaerd. Os tecelões. BC, 1962, p. 45-46). Alguns perambulavam no local, não se adaptando à vida colonial até o contrato com Renaux.

Seu dinheiro era o dote da mulher, cujo pai Peter Wagner residia no Capim Volta, nome não oficial de uma curva do rio no bairro Ponta Aguda, Blumenau. Wagner viera da Colônia São Pedro de Alcântara, em 1829, e se transferiu para o Vale a explorar madeira em toras. Renaux avaliou que o pano desses tecelões teria venda e comprará a 1a fiandeira inglesa no início do século. Assim, Pe. Raulino Reitz cunhará o slogan ‘Berço da Fiação Catarinense’ no centenário da cidade. Logo, a indústria têxtil teve o nascimento no Palacete Renaux, centro de Brusque. 

Renaux nasceu em Lörrach, Baden-Würtenberg, em 1862. Emigrara em 1882 para trabalhar em Blumenau, conhecendo a Profa. Selma Wagner, nascida em 1867. Casaram-se em 1884 e tiveram filhos. Ele mudou-se para o município São Luís Gonzaga, que a Revolução Federalista mudaria para ‘Brusque’. Frau Selma faleceu em 1912, e foi enterrada no cemitério luterano!

Ele se casou com Joanna Maria von Schönenbeck na Alemanha, e a homenageará com a estátua ‘Joana’, à frente do Palacete, hoje  na Casa de Brusque. Mais tarde, se casará com Maria Luisa Augusta Lienaerts, conhecida como ‘Mama Goucky’. Na crise de 1930, o Cônsul decidiu retornar a Brusque e contratou o Eng. Eugen Rombach, de sua cidade, para projetar um sobrado à Rua Pomeranos.  (Machado, Helena. NVS 2017, p. 107-116). Essa arquitetura recorda Baden-Baden, semelhante a outras. 

A casa tem 2 pisos e um bunker, interligado por uma edícula para cozinha, lavanderia, depósito e garagem. Tem escritório, sala de jantar e visita, trocador de roupa e varanda. Chegaram em agosto de 1931, quando as obras iniciaram. Rombach morou de aluguel na ‘FamilienHaus’ e o Cônsul, provisoriamente, no piso superior da Loja Pomerânea.

Foi desmatado o morro, demarcou-se a área e o acesso para o automóvel Kaiser vermelho. Em 1935, o pedreiro Norbert fez a escadaria do jardim, que foi rabiscada pelo jardineiro Herbert Quander. Fechou-se um tapume no ribeirão que descia o morro Heckert, e o galinheiro montado perto da casa de Antônio Baumgärtner. Uma senhora velha teria usado a vareta de pêssego para achar a mina d 'água para o poço. 

Mas Goucky ficou doente e faleceu em São Paulo, em 1939. No velório, a família brigou e a justiça impediu enterrar em Brusque. Porém, seus restos serão transladados 5 anos depois para o mausoléu, por ordem do cônsul. Ele morreu em 1945 e, novamente, a família discutiu para não o enterrar no Mausoléu junto a ‘Mama Goucky’. Será carregado, então, para o cemitério luterano!