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A cura do câncer no horizonte

Na medida que envelhecemos dois fantasmas se tornam cada vez maiores. O primeiro é a possibilidade de sermos acometidos por alguma doença neurodegenerativa, como a doença de Alzheimer, o segundo é sermos acometidos por algum tipo de câncer.

O aumento da incidência deste tipo de patologias é diretamente proporcional ao envelhecimento.

Uma doença neurodegenerativa costuma interferir muito na qualidade de vida. Já o câncer tem uma alta taxa de mortalidade, principalmente quando diagnosticado tardiamente.

Encontrar uma cura para o câncer esbarra inicialmente no fato de que há centenas de tipos diferentes, cada um deles com características particulares.

Por este motivo alguns tipos de câncer dispõem de tratamentos muito eficazes, com altas possibilidades de cura, enquanto para outros as terapias são ineficazes e tudo que a medicina pode oferecer são cuidados paliativos.

Nos últimos anos o aparecimento da tecnologia de vacinas de RNA mensageiro (mRNA), sim as mesmas que ajudaram a controlar a pandemia de Covid-19 (vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna), tem empolgado a milhares de cientistas que trabalham com pesquisas em tratamento oncológico.

Lembremos que as pesquisas com este tipo de vacinas iniciaram há mais de 20 anos. Esse conhecimento foi aproveitado para o rápido desenvolvimento de vacinas mRNA durante a recente pandemia.

O DNA das nossas células normalmente produz moléculas de mRNA, que dão as ordens aos ribossomos para a produção de proteínas necessárias para o metabolismo celular, tudo isso acontece dentro do citoplasma celular.

As vacinas de mRNA contra Covid conseguem fazer com que nossos ribossomos fabriquem fragmentos da chamada proteína spike do vírus SarCov2.

Nosso sistema imunológico, ao entrar em contato com essa proteína, inicia a produção de anticorpos específicos para o combate contra o vírus da Covid, diminuindo o risco de vir a ter uma forma grave da doença.

Atualmente a maior esperança de conseguir uma terapia curativa contra o câncer radica justamente no desenvolvimento de vacinas deste tipo que podem ser desenhadas especificamente para cada tipo de câncer.

No futuro será factível produzir vacinas específicas ou personalizadas para cada paciente.

Em tempo, o mRNA das vacinas é completamente destruído poucas horas após de realizar seu trabalho.

Não há possibilidade alguma de que essas vacinas modifiquem nosso DNA.

Todos já vivenciamos casos de câncer na família ou entre o grupo de amigos. Embora muitos pacientes consigam se recuperar, o câncer tem uma mortalidade alta.

No Brasil temos mais de 700 mil casos novos de câncer por ano e mais de 240 mil mortes pela doença.

No mundo temos 20 milhões de casos novos por ano e 10 milhões de mortes.

Se estima que no ano de 2050 tenhamos mais de 33 milhões de casos novos e mais de 18 milhões de morte por câncer no mundo

São estatísticas assustadoras.

Estão em andamento várias pesquisas em fase clínica I e II para tratamento de melanoma, câncer colorretal, câncer de bexiga, câncer de cabeça e pescoço, câncer de fígado, pâncreas e astrocitomas cerebrais.

A maioria dessas pesquisas são realizadas nos Estados Unidos e os pesquisadores ficaram muito apreensivos com a recente decisão do secretário de Saúde norte-americano, Robert Kennedy, de cortar todos os recursos para o financiamento de vacinas de mRNA, suspendendo de imediato de contratos do governo com alguns laboratórios particulares como a Moderna.

Essa decisão não tem nenhuma sustentação científica. É apenas uma posição de crença pessoal.

O avanço da ciência é inevitável e é provável que no futuro o próprio secretário de saúde e seus seguidores antivacinas tenham que decidir entre fazer uso de uma vacina de mRNA e se curar de um câncer ou seguir fielmente suas crenças e adotarem tratamentos paliativos.