A eleição de prefeito de 1960: pragmatismo x ideologia
Em 1960, a população brusquense respirava orgulhosa o centenário do município. Na política, o pessoal do PSD tinha um único objetivo: não permitir que a UDN elegesse o quarto prefeito consecutivo. Na verdade os pedessistas ainda sentiam o amargor da derrota de Ingo Renaux para Carlos Moritz na eleição de 1955.
O candidato da UDN foi escolhido logo após os festejos do centenário. Ciro Gevaerd foi o grande comandante de todos os festejos e seu nome foi aclamado por unanimidade pelo diretório do partido.
Mas desta vez havia um grande problema a ser superado: uma provável união entre o PSD e o PTB em função de acordo feito pelos diretórios nacionais dos dois partidos. No mapeamento feito em Brusque. o candidato deveria ser do PTB. Por isto, no mês de julho o PTB se antecipou e lançou a candidatura do médico Dr. Francisco Dall’Igna, o Dr. Chico, médico populista e muito ligado a classe operária, pois atuava nos consultórios dos sindicatos.
No entanto, seu nome não era bem visto pela classe empresarial, já que ele era taxado de comunista. Mas, como em política nem sempre prevalece a ideologia, desta vez era questão de honra tirar o poder da UDN, sobretudo para se vingar da derrota sofrida por Ingo Renaux na eleição de 1955, a famosa eleição do milhão x tostão. E para não haver dúvidas sobre o apoio dos empresários, Guilherme Renaux publicou nota na imprensa em apoio ao candidato Dr. Chico. E tudo foi confirmado na convenção do PSD realizada no dia 10 de agosto, quando o partido aprovou o apoio à candidatura.
Confirmados os candidatos, as pesquisas, na época enquetes, feitas pelos jornais, Rádio Araguaia e Café Pigalli, mostravam que o Dr. Chico seria o novo prefeito, com boa margem de votos. Tudo indicava que chegava ao fim o reinado de três mandatos da UDN. Veio então a pergunta: o que fazer para mudar o jogo? A resposta surgiu de imediato. Fazer uma campanha difamatória contra o Dr. Chico: “Prefeito comunista não.”
Mesmo assim o carisma e a popularidade do Dr. Chico prevaleceram e ele continuou a ter apoio da grande maioria dos eleitores. Foi então que o então prefeito, Dr. Carlos Moritz, reuniu os caciques udenistas e lançou sua arma secreta: Carlos Boos é a solução.
O desfecho da eleição será apresentado na próxima coluna a ser publicada no dia 15 de setembro.