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A inteligência artificial e a medicina do futuro

Ainda antes do advento das primeiras ferramentas de Inteligência Artificial (IA) a Medicina teve um grande progresso ao usar o desenvolvimento da informática e dos sistemas digitais a partir da década dos anos 70.  Hoje em dia desde os prontuários dos pacientes até a simples marcação de consultas são realizados em sistemas totalmente informatizados. 

Praticamente não há exame complementar que não faça uso de tecnologia digital ao menos em uma parte do processo e tecnologias mais sofisticadas como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética não existiriam sem o desenvolvimento da tecnologia da informação. 

Nos últimos anos, os grandes avanços da inteligência artificial com desempenho cada vez mais preciso e eficaz tem levantado uma série de interrogantes que chegam ao ponto de questionar se em algum momento essas ferramentas podem adotar comportamentos autônomos e se voltarem contra a espécie humana. 

Os artistas têm explorado esse tema  em livros como “Accelerando” de Charles Stross (escritor britânico) e em filmes como o popular “Matrix” ou “2001:Uma Odisseia no Espaço”. 

Lembremos que nos primórdios da revolução industrial também houve presságios pessimistas sobre o futuro da raça humana, supostamente as máquinas iriam acabar com o trabalho humano, algo que ainda não aconteceu mesmo com os grandes avanços atuais em robótica más que  tem provocado que trabalhos repetitivos e físicos sejam cada vez menos realizados por humanos. 

Acontece que com a IA mesmo atividades que exijam alto grau de conhecimento e destreza já podem ser realizadas por robôs. 

Em julho deste ano o robô SRT-H no hospital Johns Hopkins (Baltimore-USA) operou uma vesícula biliar num modelo anatômico realista de forma totalmente autônoma.  Em 2022 um robô semelhante tinha realizado anastomoses (junção) de intestino de porcos com maior precisão que cirurgiões humanos. 

Atualmente existem modelos de Inteligência Artificial desenvolvidas exclusivamente para a área médica como a Epocrates para auxiliar no diagnóstico, Aidoc para diagnósticos de imagens e Florence para acompanhamento de pacientes. Existem dezenas de modelos de IA atualmente em uso em consultórios, clínicas e hospitais. 

Na grande maioria dos casos ajudam a agilizar o atendimento, por exemplo a IA pode ir digitando a história clínica relatada pelo paciente, são minutos que o médico pode aproveitar para interagir mais com o paciente ou realizar um exame físico mais detalhado. 

Embora já seja possível realizar uma consulta médica com médicos robôs, a grande maioria de serviços ainda utilizam um médico real como supervisor final do atendimento e das orientações sobre exames e tratamentos sugeridas pelo avatar. 

Uma das áreas mais beneficiadas com o surgimento da IA é o ensino médico que atualmente pode ser muito mais realista, interativo e ter a disposição uma quantidade infinita de dados e informações relevantes em tempo real. 

O grande desafio consiste em continuar formando a capacidade crítica dos estudantes, a tendência a aceitar como absolutas as respostas da IA pode levar à perda do questionamento diagnóstico, uma das principais armas do médico para chegar a um diagnóstico assertivo. 

Essa IA generativa que pode conversar com o paciente usando um modelo de treinamento chamado de LLM (Large Language Model) aprende padrões de linguagem através de treinamento e o acesso a bases de dados quase infinitas, porém funcionam de forma muito diferente à inteligência humana. 

Além disso, temos o componente humano de uma relação médico-paciente, impossível de ser alcançada por um robô. 

Devemos lembrar que a medicina vai além de acertar diagnósticos, se trata primordialmente de um relacionamento humano de confiança mútua que se fundamenta nas conversas, no exame clínico, na empatia, dar esperança e apoio emocional mesmo nos momentos mais difíceis do paciente. 

Não há algoritmo que possa substituir a empatia, a confiança, o abraço, a esperança de uma relação médico-paciente da forma que a humanidade construiu ao longo dos séculos e que devemos continuar preservando.  Boas festas e muita saúde para todos em 2026.