A menina polonesa que descobriu o Brasil – parte 2
A pequena Sophia Stempka viveu dois anos no lugar conhecido como Colônia Itajahy e Príncipe D. Pedro (futura Brusque). Entendeu que sua narrativa, escrita com carinho nessa nova pátria era especial. Aprendeu a amar o Brasil, sentimento que não brotou fácil. As dificuldades enfrentadas por seus pais e demais famílias dos primeiros imigrantes poloneses, apresentaram um exercício diário de paciência. Fosse derrubando árvores, preparando-as para serem transformadas em madeiras com as quais construiriam seus ranchos. Fosse, já no terreno limpo, dando início às pequenas plantações de subsistência e de sobrevivência.
O que Sophia não poderia imaginar é que acabaria participando de uma bela História. Em setembro de 1871 ela transmigrou com seus pais Domin e Karolina, de Brusque para Curitiba. Não há registro de seu nome por um longo tempo. Portanto, outros períodos de sua vida são desconhecidos. Porém há o registro de seu casamento com Bertholdo Adam, nascido na Prússia e emigrado para o Brasil. Ele chegou a Curitiba a 15 de maio de 1881. O casamento com Sophia aconteceu a 2 de setembro de 1884, na “Capella de Sta, Anna no núcleo Abranches”, em Curitiba. Ela tinha 20 anos de idade. No registro consta que Sophia ”nasceu em Biata, perto de Czestochovia em Polonia e foi batizada na Igreja parochial com o mesmo nome. Assina: o Capellão Cura Fr. Xavier Gurowski”. (arquivo da Igreja do Abranches/Curitiba).
Bertholdo e Sophia tiveram 11 filhos, entre eles Wally Herline Adam. Wally casou-se com Tarquínio Marcondes de França e tiveram quatro filhos, entre os quais Maria de Lourdes de França, a qual casou-se com Antonio Gouveia Freire. O casal Maria de Lourdes e Antonio teve Walcleci do Rocio França Freire, unida em matrimônio com Alberto Henrique Wedderhoff. Do relacionamento nasceram Ana Laura, Ana Carine, Ana Carolina e Alberto Henrique Jr.
Com Ana Laura Freire Wedderhoff – tataraneta de Sophia Stempka -, nosso imigrante Domin materializou-se de forma a preencher uma lacuna no conturbado relato de historiadores e pesquisadores a respeito desse capítulo importante na chegada dos primeiros poloneses imigrantes, vindos da região de Opole para territórios catarinense (agosto de 1869) e, depois, paranaense (setembro de 1871).
Meu contato com Ana Laura foi através de Aloisius Carlos Lauth, responsável pelo blog ‘Sixteen Lots território polonês em 1869’, através do qual ela enviou mensagem perguntando sobre familiares em questão, pois havia lido que o pai de sua tataravó constava na relação do livro de minha autoria: A imigração Polonesa nas Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro (1984).
A divulgação teve o sabor de Victoria – nome do navio que fez a travessia pelo Oceano Atlântico desde o porto de Hamburgo, na Alemanha, até o porto de Itajaí. O navio, que estava mais para um veleiro, transportou homens, mulheres e crianças, como Sophia e seus pais. Os imigrantes vieram para cá e ajudaram a escrever páginas de dedicação, empreendedorismo, histórias de superação, de sacrifício e de afeto. Não sem terem sentido, com certeza, inúmeras saudades do local ao qual jamais voltariam: Polônia!
Uma constante busca por suas raízes completou a vida de Ana Laura, tão envolvida em resgatar a genealogia da família. Assim, ‘Sophia: a menina polonesa que descobriu o Brasil’ serviu de marco inicial para esse interessante relato. Sophia Stempka Adam está sepultada no Cemitério Municipal de Curitiba. Faleceu aos 92 anos.