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A morte do prefeito João Schaefer

Gazeta 01.10.1927

“No dia 27 de setembro de 1927, após um longo sofrimento, tombou da vida o cidadão João Schaefer, Superintendente Municipal”. Assim começa a notícia fúnebre de página inteira da Gazeta Brusquense. Fazia tempo que o mandatário estava “com o seu estado de saúde abalado por moléstia pertinaz e incurável”. Sofreu muito, com a “resignação de um crente” e a com a fé inquebrantável para enfrentar o sofrimento. Mas, conservou até a hora extrema o ânimo dos heróis, disse o jornal.

Morreu aos 41 anos, moço ainda, quando iniciava uma carreira política que decerto seria brilhante. Na verdade, era ainda jovem, mas não um debutante na política brusquense, pois já tinha sentado na cadeira de prefeito durante o ano de 1918. Não foi o primeiro a morrer no exercício do mandato de prefeito da cidade.

Antes dele, Nicolau Gracher, de tradicional família brusquense, faleceu em 1901, no segundo ano de exercício do seu terceiro mandato. Por doença, Vicente Schaefer também terminou a sua segunda administração e sua morte comoveu a comunidade brusquense.

A Gazeta não deixou de enaltecer a figura de João Schaefer, pertencente a uma família que marcou a política brusquense até poucos anos atrás, descrevendo-o como um “administrador probo e honesto”, portador de uma forte liderança junto à sua comunidade. A profunda estima do povo brusquense para com o ex-governante, “atestou-a a romaria ininterrupta quer ao seu leito de sofrimento, quer à câmara ardente onde amortalhado esteve”.

O Conselho Municipal reuniu-se às sete horas da manhã em sessão extraordinária para render as últimas homenagens ao chefe do executivo morto no exercício do cargo. Em seguida, conforme mandava o protocolo, a sessão foi suspensa e os vereadores dirigiram-se à casa do falecido, a fim de acompanhar “o cortejo fúnebre até a igreja matriz, onde foi rezada missa de corpo presente”.

Já no cemitério católico, como acontece em ocasiões semelhantes, foram proferidas as últimas palavras ao líder político tão cedo ceifado pela morte. Segundo o jornal, autoridades, entidades civis, colégios escolas e quase toda a população brusquense compareceu ao ato de despedida.

Por meio de grande número de telegramas — na época, um moderno e rápido meio de comunicação, desbancado por outro meios de comunicação eletrônica — autoridades estaduais e de outros municípios, também externaram os seus sentimentos de pesar, diante do falecimento de João Schaefer.

Tem sido assim. Governante morto no cargo é por todos pranteado, fora do cargo, poucos lembram, menos ainda choram por aquele que um dia exerceu o poder.