A visita do Barão
No próximo dia 4 de agosto, Brusque celebra 165 anos de história. Uma história que começou com o Barão de Schneeburg – figura memorável da colonização do município, que aqui desembarcou em 1860, com um grupo de 55 colonos alemães, fundando a colônia que hoje é Brusque.
Engenheiro, o barão era reconhecido por ser uma pessoa organizada e meticulosa, tendo sido escalado para fundar a colônia e fazê-la crescer e prosperar. Documentos históricos mostram que, desde sua chegada, ele se preocupava com o mapeamento da região, pedindo estudos topográficos e organização do território.
Em uma era em tudo por ser recriado ou reconstruído através da inteligência artificial, seria interessante imaginar: que cidade o Barão reconheceria? Quais as semelhanças e diferenças encontraria entre a Brusque de agora e a do passado?
Hoje, ao refazer esse trajeto, o primeiro impacto seria imediato: o rio Itajaí-Mirim, embora ainda imponente, apresenta marcas da atuação humana, com trechos poluídos e alteração de cor devido a produtos químicos. A mata ciliar, antes abundante, deu lugar a construções, vias asfaltadas e estruturas urbanas.
Ao chegar a Brusque navegando pelas águas do rio, se o desembarque fosse no mesmo local de 1860, o Barão desceria da embarcação nas proximidades do Clube de Caça e Tiro Araújo Brusque, um dos primeiros espaços de lazer e festas da cidade.
Se ele perguntasse a alguém nas ruas quais são as festividades da cidade, veria que muito além daquelas realizadas no clube, Brusque ganhou novas festas populares, como a Fenarreco, a Fenajeep e feiras de negócios organizadas por entidades como a Ampebr.
O Barão continuaria circulando pelas ruas, e veria uma Brusque transformada. Provavelmente iria se surpreender positivamente com o dinamismo da economia local, marcada por um parque industrial forte, comércio vibrante e ampla oferta de serviços.
Porém, mais adiante, o Barão para para uma conversa com o prefeito André Vechi, e notaria que certas práticas permanecem familiares ao cenário que ele enfrentou em 1860. O prefeito comentaria que, assim como na época do Barão, os municípios precisam lutar por apoio financeiro junto aos governos estadual e federal para obras públicas. O Barão reconheceria o velho hábito de ‘passar o pires’ em busca de recursos.
Como parte das celebrações, o Barão também poderia ler, na próxima segunda-feira, um material especial intitulado Memórias de Brusque, que será lançado pelo jornal O Município. O projeto resgata momentos, tradições e locais importantes da história local, homenageando os cidadãos e trajetórias que moldaram a cultura brusquense ao longo dos anos.
Dessa forma, a cidade comemora seus 165 anos reafirmando o orgulho de suas raízes e o desejo de seguir crescendo, como sonhou o Barão de Schneeburg que, em 1860, ousou plantar aqui as primeiras sementes de uma nova comunidade.