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Almanaque da Vida Polaca – 2

A professora e escritora Izabel Rosa Gritti fez do ensaio literário uma reflexão sobre a atuação de Edmundo Saporski no processo da imigração. Comparou diversos documentos citando que “a verdade não é absoluta, como no caso da imigração polonesa, quando há muito a ser pesquisado”, referindo-se às dúvidas, por parte do escritor polonês Borislaw Mrówcvzynski sobre a figura e atuação de Saporski.

Ele relatou, através de correspondência trocada com José Ferreira da Silva – historiador e então diretor da Fundação Casa Dr. Blumenau, em Blumenau/SC (anos da década de 70), sua preocupação com a verdade histórica. Gritti finalizou: “Os documentos citados mostram que a verdade não é absoluta. Seja ela qual for. E, no caso da imigração polonesa há muito ainda a ser pesquisado, estudado e revisto. Os elementos expostos pelos documentos apontam para a necessidade de discutir-se a atuação, ou melhor, o papel de Edmundo Wos Saporski no processo imigratório polonês”.

O jornalista Ulisses Iarochinski abordou: “O sofrido povo polaco, esmagado em várias fases da sua existência, invadido, dividido, destituído de Estado e Território, sempre teve misteriosas forças para resistir como Nação, costumes, tradições, lendas e idioma.

E é essa mesma força que deve fazer com que ele ainda resiste em terras brasileiras, mais precisamente no Sul do País. Pois lá se vão 130 anos, desde que aqueles primeiros polacos, fugindo dos desdobramentos da insurreição que pôs fim ao reino Polaco, em 1863, chegaram ao porto de Itajaí, para serem abrigados nas terras de Brusque – o berço da imigração polaca no Brasil”.

Nome de destaque, o filólogo e autor do Dicionário Brasileiro Polonês- Português, professor Mariano Kawka citou: “O primeiro grupo de imigrantes poloneses veio ao Brasil em 1869 e se estabeleceu em Brusque, no Estado de Santa Catarina (antes disso muitos poloneses já haviam aportado ao Brasil, mas em caráter individual). Eram 164 indivíduos pertencentes a 32 famílias. Esses mesmos poloneses transferiram-se em 1871, ao Paraná, onde se estabeleceram em Pilarzinho, arredores de Curitiba.

Nos anos seguintes, novas levas de imigrantes vieram ao Brasil e fixaram-se principalmente nos três Estados sulinos. Esse fluxo imigratório foi muito intenso, especialmente até a Primeira Guerra Mundial. Devido ao fato de a Polônia não ser na época um Estado independente, muitos desses imigrantes eram registrados como alemães, austríacos ou russos. Por isso, estabelecer o número exato dos imigrantes poloneses que se estabeleceram no Brasil não é uma tarefa fácil”.

O jornalista, professor e pesquisador Fernando Tokarski anotou: “A instalação polonesa na região do Contestado, no Norte catarinense, é reflexo imediato dos movimentos migratórios ocorridos no sul do Paraná nos derradeiros anos do século 19 e nos limiares do período vigente. Da colonização paranaense em Itaiópolis, Rio Negro, Antônio Olinto, São Mateus do Sul, União da Vitória e Cruz Machado, os polacos enveredaram pelos caminhos das araucárias e dos ervais, transpondo os rios Iguaçu, Negro e Canoinhas, ingressando em território catarinense. Disseminados pelo Contestado, os imigrantes poloneses estão aculturados, miscigenados com outras culturas étnicas ou regionais, sobretudo a cabocla e a gaúcha, predominantes na região”.

Fazendo jus à publicação, o Almanaque da Vida Polaca incluiu poesias, ilustrações, outros textos literários, além de curiosidades, com receitas que deram tempero especial ao conteúdo.