Brusque 165 Anos: espírito de sacrifício e coragem dos 55 imigrantes pioneiros
Anteontem, Brusque completou 165 anos. Os imigrantes pioneiros deixaram para trás a pátria germânica em busca de uma nova vida nas terras do sul do Brasil. Não eram muitos, apenas dez famílias, um grupo de 55 lavradores de profissão, menos um que se dizia alfaiate. Quase todos prussianos, vinham de uma região onde a atividade agrícola estava em declínio pela falta de terras cultiváveis.
O mais velho, João Wilhelm, tinha 58 anos e trouxe consigo sete filhos. O mais novo, Augusto Höfelmann, com 28 anos, também trouxe os seus três filhos menores. Com as demais oito famílias, embarcaram na arca humana que atravessou o oceano em meio a tempestades e calmarias, até chegar às terras do Vicente Só para fundar a Colônia Brusque, no dia 4 de agosto de 1860.
Deve ter sido uma decisão difícil. Seguramente, foi a decisão mais importante e crucial da vida de cada um dos chefes de família. Com bravura e coragem, decidiram abandonar para sempre os familiares, os amigos e todo o ambiente cultural criado ao longo de séculos, onde nasceram e viveram os seus tempos de Europa.
A viagem transatlântica até o porto da antiga Desterro e ao porto de Itajaí, com certeza, exigiu sacrifício e coragem. Basta imaginar as condições de desconforto e insalubridade marcadas por inúmeras doenças a que ficavam submetidos homens, mulheres e, principalmente, crianças, confinados no porão de um navio durante a travessia do Atlântico, numa viagem de longos e intermináveis dias.
Os primeiros tempos de colônia não foram nada fáceis. Aqui, nas terras brusquenses do Novo Mundo, o tão almejado novo lar não passava de quatro ranchos de pau a pique cobertos de sapé, batizados de alojamentos provisórios para os primeiros meses, até a construção das casas de cada colono. Sem dúvida, não foi o começo esperado. Muito menos, sonhado quando resolveram partir, em busca da terra prometida, o eldorado tropical do sul do Brasil.
A terra ali estava, sim, garantindo que a promessa tinha sido cumprida. Mas, coberta pela floresta virgem, estava a exigir o árduo e incessante trabalho de calejar as mãos dos machados na derrubada da mata. E das pás e enxadas no preparo das roças e no plantio das primeiras lavouras que haveriam de garantir a sobrevivência daqueles destemidos colonos. Tudo para construir os alicerces da comunidade em que vivemos.