Brusque 165 anos: Maximiliano von Borowski: guarda-livros, diretor interino e professor da Colônia Brusque
No próximo dia 4 de agosto, Brusque estará festejando os seus 165 anos de fundação. Para lembrar a data, pretendo escrever algumas crônicas sobre os tempos da colônia. Para primeira delas, escolhi Maximiliano von Borowski, um importante e sempre esquecido personagem da administração da nossa história colonial. Pouca ou quase nenhuma informação se tem sobre sua vida. O que se sabe é que em 1864 já se encontrava na Colônia Brusque para exercer a função de guarda-livros, como se dizia antigamente.
Portanto, o seu trabalho era o de efetuar o registro contábil e as prestações de contas das verbas orçamentárias repassadas à Diretoria para a administração da Colônia: pagamento do Diretor e funcionários; subsídios aos colonos; abertura de estradas e demais obras públicas; saúde e educação. Pelo que pesquisei, durante mais de dez anos, Borowski exerceu o seu trabalho com lisura e competência, pois não se conhece qualquer fato desabonador de sua conduta funcional.
É verdade que há um ofício assinado em março de 1868 pelo então diretor interino Cottle, solicitando a demissão de Borowski, por insubordinação. A solicitação não foi atendida pelo presidente da Província, e Cottle não esquentou por muito tempo a cadeira de Diretor. Três meses depois, Borowski ainda recebeu aumento salarial por conta dos seus bons serviços, inclusive como secretário e auxiliar da Diretoria da Colônia
Naquele tempo era assim mesmo. No interesse da administração pública, um funcionário poderia exercer atividades diferentes sem reclamar da sobrecarga de função. E documentos da época mostram que, além do seu trabalho de guarda-livros, Borowski foi um secretário competente, dedicado e de confiança dos diretores, tendo inclusive assumido interinamente a direção da Colônia, por mais de uma vez.
Em janeiro de 1876, na condição de diretor-interino, assinou extenso documento contestando as reclamações e denúncias apresentadas ao presidente da Província, pelo imigrante Jean Louis. Para Borowski, o “ex-oficial francês nunca teria manejado um instrumento agrícola e só queria passar uma boa vida na Colônia, à custa do Estado” para depois seguir a sua “vida errante”.
Outra sua contribuição importante para o desenvolvimento da Colônia aconteceu na área da educação. Criada a escola masculina em meados de 1864, Maximiliano von Borowski foi nomeado seu primeiro professor, com o salário de 50 mil réis por mês e mais o aluguel da sua residência. O bom salário e o privilégio de ter o aluguel pago, mostram bem o reconhecimento que se tinha naquela época para com a figura do professor primário.