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Brusque 165 anos: o problema dos imigrantes solteiros e sem disposição para o trabalho agrícola

O governo imperial criou as Colônias Brusque e Dom Pedro para colonizar as terras da região do Vale do Itajaí-Mirim com imigrantes preparados para trabalhar na agricultura e pecuária. Tanto que, se examinarmos as relações dos alemães chegados até o ano de 1865, vamos encontrar um ou outro sapateiro, ferreiro, alfaiate, marceneiro e mais algum trabalhador autônomo. No entanto, a imensa maioria se dizia lavrador.

Na verdade, o Brasil ainda estava longe de conhecer a sua revolução industrial. Assim, se os imigrantes não tivessem experiência nem vontade de trabalhar na terra, aqui não teriam o que fazer e o programa colonizador governamental não teria sentido nenhum. Informações da época mostram que os diretores da nossa Colônia reclamaram com frequência dos imigrantes que aqui chegaram sem disposição para pegar no cabo da enxada, da pá ou da foice para lavrar a terra. E tinham razão.

As tentativas de colonização com irlandeses, ingleses e franceses foram um fracasso. Os primeiros tinham vindo de Nova Iorque, no começo de 1867 e estavam acostumados à vida urbana. Lá, poucos trabalhavam, muitos menos em qualquer tipo de atividade agrícola. Da mesma forma, os franceses que para cá vieram também não estavam preparados nem dispostos a viver na zona rural.

Para os diretores, imigrantes solteiros e não agricultores oriundos dos centros urbanos de cidades europeias criavam sérios problemas e não deveriam ser mandados para a Colônia Brusque. Em janeiro de 1876, o então diretor-interino Borowski reclamou do “grande número de solteiros franceses, alemães e de outras nacionalidades, em geral a escória das grandes cidades da Europa”. Esses colonos, escreveu ele, nunca tinham manejado um instrumento agrícola e se retiravam da Colônia sem terem trabalhado nos seus lotes de terra”.

Borowski anotou ainda que, em vez de trabalhar, esses maus “colonos” reclamavam da situação, gastavam o dinheiro dos auxílios bebendo cachaça nas bodegas e costumavam provocar arruaças e desordens. Aqui só permaneciam enquanto recebiam os subsídios pagos pelo governo, vivendo como verdadeiros pensionistas do Estado.

Penso que a questão do bom ou do mau colono não estava relacionada à nacionalidade ou etnia do imigrante. Mas, à profissão e à vontade de trabalhar duro na agricultura, num estabelecimento colonial que estava começando a ser implantado.

Para alívio dos diretores, quase todos os imigrantes franceses e anglo-saxões, solteiros e não agricultores, remigraram para outras cidades brasileiras ou para os países de origem. Só as famílias dessas duas nacionalidades dispostas a trabalhar na agricultura ou em atividade laboral permaneceram na Colônia Brusque.