Brusque 165 Anos: Os imigrantes que aqui permaneceram para construir a cidade em que vivemos
Brusque, foi e continua sendo uma terra de imigrantes. Isso significa que a Colônia onde tudo começou, foi fundada e se desenvolveu com base no trabalho árduo e incessante de gente vinda de outras terras. Para a fundação da Colônia, chegaram os primeiros imigrantes alemães. Não eram muitos, apenas dez famílias, num total de 55 imigrantes. Logo vieram outras turmas e a corrente imigratória continuou sendo alimentada durante quinze anos, quase que somente por alemães.
No entanto, não havia proibição para a entrada de colonos de outras nacionalidades e, em fevereiro de 1867, chegaram 98 irlandeses e ingleses para fundar a Colônia Príncipe Dom Pedro, localizada na margem direita do rio Itajaí-Mirim. Tinham vindo dos Estados Unidos e não eram agricultores. Conforme escreveu Ayres Gevaerd, eram “gente de péssimo comportamento, afeitos a embebedarem-se e a roubar em casas e roças” dos laboriosos colonos germânicos. Ao final de dois anos, já haviam retornado às cidades de origem.
Mal saídos os anglo-saxões, em agosto de 1869, chegaram 94 poloneses. Uma segunda leva veio no ano seguinte, perfazendo um total de 164 poloneses. Seja porque deram-lhes os lotes abandonados e impróprios para a agricultura, seja porque não gostaram de beber a água do Itajaí-Mirim, dois anos depois mandaram-se para o Paraná.
O governo imperial continuou insistindo no seu projeto de colonizar as terras da margem direita do Itajaí-Mirim. Em 1875, o diretor Betim Paes Leme informou que 92 franceses tinham chegado no ano anterior. Uns seriam comunistas, outros, ex-condenados da justiça francesa e, todos, “sem nenhum préstimo para o trabalho agrícola e eram os piores elementos colonizadores”, disse Paes Leme. Voltaram às suas origens sem terem pegado no cabo da enxada.
Ao mesmo tempo, começou a imigração de italianos. Em fevereiro de 1875, Paes Leme recebeu um lacônico telegrama do Ministro da Agricultura, dizendo que estava encaminhando “200 imigrantes lombardos”. E recomendava ao diretor que preparasse uma recepção condizente e dispensasse um “bom tratamento para que fiquem satisfeitos, pois são colonos que merecem ser animados”. Para o bem da Colônia Brusque/Dom Pedro, chegaram para ficar. Com tenacidade e muito trabalho, superaram adversidades a fim de consolidar a permanência da gente itálica na terra de Vicente Só.
Hoje, passados 165, pode-se dizer que o êxito do projeto colonial brusquense deve-se ao trabalho árduo e incessante dos imigrantes alemães e italianos, que aqui permaneceram para transformar o sonho do Barão de Schnéeburg na cidade em que hoje vivemos.