Brusque 165 anos: prêmios e medalhas em feiras agrícolas nacional e mundial
A Colônia Itajahy, sempre chamada de Brusque, foi criada para desenvolver a atividade agrícola nas terras situadas às margens do rio Itajaí-Mirim. No entanto, a topografia acidentada desta região e o sistema de pequenas propriedades não permitiram a implantação de uma agricultura em larga escala. Mesmo assim, a atividade agropecuária manteve a vida econômica dos brusquenses durante trinta anos, até que surgissem as primeiras tecelagens. Afinal, viver era preciso e nossos antepassados trabalharam exaustivamente para tirar da terra o sustento para a família.
Criaram uma sociedade agrícola e pediram dinheiro ao Ministério da Agricultura para construir a sede da entidade, a fim de promover feiras e exposições. A primeira, realizada em 4 outubro de 1872, foi um sucesso, pelo grande número de expositores, de produtos expostos e de visitantes, incluindo a importante presença do presidente da Província. Nos arquivos da Casa de Brusque existe um exemplar do Diploma da Primeira Exposição Colonial conferido ao colono Pedro Jensen, premiado na categoria “araruta”.
A experiência exitosa motivou os nossos colonos a participar da Terceira Exposição Nacional da Agricultura, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1873. Naquela época, não era fácil viajar à capital do Império e, provavelmente, nenhum expositor brusquense esteve presente ao evento. Mas, diversos prêmios e medalhas foram conferidos pela Comissão Central aos agricultores das Colônias Brusque-Príncipe Dom Pedro.
Entusiasmados com o reconhecimento nacional, foram mais longe e decidiram participar da Feira Mundial de Viena, de 1875. Lá também, na capital do então poderoso império austro-húngaro, os agricultores do Itajaí-Mirim foram premiados com medalhas e diplomas pela excelência dos produtos expostos. Pela ótima qualidade do seu fumo em folha, já reconhecido nacionalmente, a Colônia recebeu o troféu de Menção Honrosa.
No entanto, o prêmio de maior destaque foi a Medalha de Mérito concedida a Daniel Klabunde, pela excelente aguardente exposta naquela Feira Mundial. Não se guardou nenhum rótulo, muito menos nenhuma garrafa da famosa cachaça. Quando os brusquenses tomaram conhecimento da notícia, foi uma festa regada a muita pinga que tanto sucesso fez na capital austríaca.
Pena que, nessa época, o Barão, nascido na Áustria, já não vivesse mais para festejar o acontecimento. Segundo alguns dos seus críticos, gostava de beber uma branquinha a fim de matar a saudade da sua terra natal.