Brusque 1916: imposto sobre a danada da cachaça
Desde os primeiros tempos, os nossos colonos alemães passaram a plantar cana, não só para produzir açúcar, mas também fazer a danada da cachaça. Então, surgiram os alambiques que destilavam a garapa em aguardente para inebriar a mente dos imigrantes saudosos da sua gente que ficara no Velho Continente. E alegres, alguns até embriagados, bebiam os seus tragos de uma boa pinga artesanal nas rústicas bodegas sem pagar imposto. Afinal, o governo imperial financiava as despesas da administração colonial.
No entanto, criado o município, foi preciso instituir os tributos necessários para pagar as despesas. Vieram então os impostos predial, territorial, sobre o consumo e veículos de transporte fluvial e terrestre. Anos depois, no começo do século passado, carroças, canoas e cachorro também pagavam imposto. Aliás, quem pagava eram seus donos. Até a cachaça não escapou da tributação.
Li, na Gazeta Brusquense de 08.01.1916, que a Superintendência municipal tinha criado mais um imposto. Desta vez, para taxar a produção de cachaça, a bebida nacional, como é a tequila para os mexicanos, a vodka para os russos e o uísque para os escoceses. Sem mencionar o valor da carga tributária, a nota jornalística informava que “o imposto da cachaça seria pago por meio de um selo”, comprado pelo dono do alambique na repartição fiscal, a fim de cumprir a sua obrigação tributária.
É possível que alguns produtores optassem por não pagar o imposto, pois a cultura da sonegação vem de longe, desde os tempos do Brasil Colônia. Já os que pagavam o tributo, claro, não deixaram de repassar o custo aos seus fregueses encostados no balcão da bodega, de copo na mão, tentando esquecer as amarguras da vida.
Imagino que o Superintendente Vicente Schaefer gostasse de um schnaps. Ao menos, como aperitivo para abrir o apetite na hora das refeições. Mas, prevaleceu a necessidade de buscar uma fonte de receita para cobrir as despesas da administração municipal, que estavam sempre crescendo. Afinal, era preciso arrecadar dinheiro a fim de abrir novas estradas, construir escolas e pagar funcionários, incluindo os professores.
Desde aquele momento, a bebida dos pobres das tabernas, das bodegas e botecos não deixou mais de pagar tributo. Hoje, o custo da máquina pública subiu nas alturas e o governo criou um tal de imposto seletivo. A cachaça, então, está sujeita a mais de 80% de carga tributária. Mesmo assim, continua sendo a bebida nacional deste país das ilusões e sonhos dourados sorvidos nos tragos inebriantes de uma boa branquinha ou caipirinha.