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Brusque 1918: a morte do superintendente Vicente Schaefer

Desde a proclamação da República até as primeiras décadas do século passado, a política brusquense foi conduzida por duas fortes lideranças. De um lado, estava o industrial Carlos Renaux. Do outro, o comerciante Guilherme Krieger. Ambos tinham a patente militar de “coronel” e assim eram reverenciados pelos seus eleitores. Os dois estiveram em trincheiras opostas até que Guilherme Krieger afastou-se da vida pública e só apertaram as mãos, parece-me, quando a filha deste casou-se com o filho do seu opositor.

É evidente que houve períodos em que o vaivém das duas lideranças abria espaço para que um fiel seguidor se sentasse na cadeira de governante municipal. Foi o caso de Vicente Schaefer, que também tinha a sua patente militar, mas de major, sem ter frequentado qualquer quartel. Em 1903, sucedeu a Guilherme Krieger, para um ano depois entregar o cargo a Carlos Renaux, seu líder político.

Sua curta permanência na chefia do município foi suficiente para credenciá-lo a voltar mais tarde, em 1916, quando foi eleito prefeito de Brusque. No entanto, faleceu no cargo em 8 de julho de 1918. Por ser considerado um político honesto e inteiramente dedicado à causa comum, sua morte causou profunda tristeza em todo o município. Tanto que a Gazeta Brusquense publicou reportagem de página inteira para registrar que a população brusquense ficara consternada com a morte prematura “do seu venerando Superintendente e Chefe Político, o ilustríssimo Major Vicente Schaefer”.

Fazia tempo que o mandatário se encontrava doente do coração. Mesmo assim, a “notícia do seu falecimento ecoou triste e lúgubre pelos morros e vales mais remotos do território do município por ele governado”, escreveu o entristecido repórter, que traçou uma biografia das mais elogiosas de Vicente Schaefer. Entre as suas inúmeras realizações, o jornal destacou os feitos na área da educação e da pacificação da vida política e lamentou que, quando muito ainda poderia realizar em favor da comunidade, “a morte veio buscá-lo e transportá-lo para as regiões da eterna paz e descanso”.

Para a Gazeta, o seu sepultamento “foi um dos mais esplêndidos e concorridos que Brusque jamais viu”. Sua morte foi sincera e profundamente pranteada por todos os brusquenses, pois “dos recantos mais afastados do município” chegaram parentes, amigos e autoridades “para prestar ao saudoso extinto as últimas honras”.

O jornal Novidades de Itajaí também publicou uma extensa nota em 14 de julho de 1918, para registrar que o pai, Adriano Schaefer já tinha sido “um dos mais esforçados e honestos superintendentes de Brusque”. Dessa forma, educado desde criança “numa boa escola de civismo” e tendo como referência a figura paterna, era natural que o filho, Vicente, honrasse o exemplo paterno de conduta pública, escreveu o correspondente do jornal da vizinha cidade.