Brusque: ontem, as tecelagens; hoje, malharias e confecções
Quando cheguei a Brusque no começo dos anos 1970, o ritmo da vida econômica da cidade e da sua gente era ainda marcado pela cadência dos teares e filatórios das três maiores e tradicionais indústrias têxteis. Claro, havia outras poucas menores. Porém, eram as três grandes e então quase centenárias indústrias têxteis — a Buettner, a Renaux e a Schlösser — que comandavam a atividade industrial e produziam a riqueza da cidade.
Tudo dependia delas. Se o mercado de tecidos não estava em crise, havia emprego para os nossos operários. Tecelões, fiandeiros e empregados de serviços gerais podiam trabalhar e até fazer hora extra para garantir o sustento da família. O consumo de carne nos açougues aumentava significativamente. Aos domingos, o chefe em pé cuidando da churrasqueira, a família reunida em volta da mesa se atracava no tradicional churrasco de festa de igreja ou de escola, aquele filé duplo curtido no limão e na cebola.
Assim como a Inglaterra do século 19 dominou a produção de tecidos sem produzir um quilo sequer de algodão, também a indústria têxtil brusquense dependia dessa branca matéria-prima vinda de longe, até do Egito e que, transformada em fios, na batida incessante dos teares iria produzir o tecido plano e os felpudos. Brusque era, então, a Cidade dos Tecidos e O Berço da Fiação Catarinense.
Tudo muda. Principalmente, a moda. Homens e mulheres passaram a usar calças de jeans e camisetas de malha. Assim, o ciclo econômico baseado nas tradicionais tecelagens e fiações começou a perder força. Não só em Brusque, mas em todo o Brasil e no mundo. E as nossas três maiores empresas têxteis fecharam as suas portas centenárias.
Felizmente, a transição se fez sem crise. A produção de fios continuou cada vez maior, agora para serem transformados em tecido de malha flexível e maleável, matéria-prima para as centenas de pequenas e grandes confecções. Já não dependemos apenas de uma única atividade industrial. Temos uma economia diversificada, o que garante um desenvolvimento econômico seguro, estável e uma riqueza melhor distribuída.
Nesses cinquenta anos que aqui tenho vivido, sou testemunha da extraordinária transformação pela qual passou Brusque. Se ontem éramos a Cidade dos Tecidos, hoje ostentamos o título de Capital da Malha e de Cidade da Moda.