Colônia Brusque: repatriamento de colonos
Ao chegarem à Colônia Brusque, os imigrantes dos primeiros tempos encontraram uma realidade bem diferente da sua Europa. Devem ter sentido que a nova vida não seria fácil. Adversidades como o clima, doenças tropicais ou o atraso nos benefícios prometidos motivaram alguns deles — com ou sem razão — a pedir que o governo bancasse o retorno ao país de origem.
Não estou me referindo aos imigrantes franceses, irlandeses, ingleses ou de qualquer nacionalidade, que rejeitavam o trabalho na lavoura e nunca deveriam ter pisado em terras brusquenses. Aqui aportaram só para tumultuar a ordem colonial. Sem trabalhar, passavam o tempo nas bodegas da Colônia gastando o dinheiro dos subsídios que o governo lhes pagava. Depois, assim como tinham chegado, daqui se retiravam sem deixar saudade.
Em setembro de 1872, os franceses Luiz Billant e Adolfo Haber, pediram para voltar ao seu país. Diziam-se mecânicos e que “não estavam acostumados aos trabalhos agrícolas”. No ofício enviado ao Presidente da Província, o diretor Paes Leme registrou que tinha o maior prazer de encaminhá-los à capital, a fim de que fosse decidido sobre o destino dos dois franceses. Se estes permanecessem na Colônia sem trabalhar, só iriam aumentar o número de colonos pobres e desamparados, disse o dirigente colonial.
No mês seguinte, o suíço Henrique Chappuis também solicitou o repatriamento ao seu país. Alegou estar doente e não ter mais condições de continuar trabalhando na agricultura. Sem negar a alegação de doença, Paes Leme concordou com o pedido e informou à autoridade provincial que o colono tinha se “tornado um verdadeiro pensionista da Colônia”. Deve ter sido também com prazer que o diretor encaminhou o colono ao Desterro.
Quatro dias depois, um outro suíço, Júlio Bugnens, foi também encaminhado à capital da Província, munido de um atestado médico. No ofício, Paes Leme registrou que Júlio já se encontrava “há bastante tempo se tratando à custa dos cofres da Colônia, sem apresentar melhoras”. Para o diretor, o repatriamento de um colono doente representava um problema a menos, pois a administração colonial vivia enfrentando sérias dificuldades financeiras.
Tudo indica que imigrantes que chegavam doentes ou rejeitavam o trabalho na lavoura, era um problema constante para os diretores. No ofício, Paes Leme voltou insistir que “a única colonização que nos serve é a alemã”. Para ele, imigrantes recrutados em cidades estrangeiras, sem vontade de trabalhar na agricultura, eram “maus colonos”. Só serviam “para ocasionar despesas ao Estado”, além de viverem causando desordens.
A posição de Paes Leme não deve ser considerada preconceituosa. Para ele, o importante era que o imigrante tivesse disposição e preparo para trabalhar na zona rural, independentemente da sua nacionalidade ou etnia. Afinal, a Colônia Brusque tinha sido criada para ser um estabelecimento agrícola.