Colonos novos, de nação polacos
Um documento, de 31.8.1869 (Museu Casa de Brusque) solicitando orçamento “a fazer com 94 colonos novos, de nação polacos”. Essa foi a segunda menção à presença de imigrantes poloneses na Colônia Itajahy. Na primeira, o registro de batizado de Estevão Sienovski. Por que? Estevão “nasceu em o mar”, a bordo do navio Victória, em 3.7.1869. Foi batizado pelo Padre Francisco Alberto Gattone, a 25.8.1869. Então, tomou-se essa data como referência para as comemorações do Dia da Imigração Polonesa. Ou Dia Estadual da Imigração Polonesa em Santa Catarina.
Como terá sido a infância de Estevão nos primeiros anos de vida? Seu nome não consta da “Relação dos passageiros embarcados a bordo do paquete a Vapor São Francisco, em Itajaí/SC (setembro de 1871), com destino ao Estado vizinho. Nem os nomes de seus pais. O registro de seu batizado está no Livro dos Batizados: Brusque 1869/1876, p. 11, no Arquivo da Cúria Metropolitana de Florianópolis. Tornei-o público em 1984, no livro A Imigração Polonesa nas Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro.
Lembra do documento da diretoria, assinado por João Klitzing, citado no início? Nele o diretor afirmava: “Constatando que já foram dirigidos á esta Colonia mais 22 famílias de colonos novos, peço respeitosamente á V. Excia que se digne de mandar consignar em breve o importe do orçamento”(sic). Pedidos de verbas eram feitos trimestralmente. A dúvida é por conta da aplicação nos eventos necessários. Tanto, que pesa: “sob o nome do Diretor Barão von Klitzing, que entrou na Colônia Itajahy e depois como interino da Príncipe Dom Pedro, uma administração fracassada.”( Aloisius Lauth)
Um caminho de carroças interligava as duas Colônias. Os colonos novos, de nação polacos, foram estabelecidos na linha colonial Sixteen Lots. Eles sofreram a invasão em seus lotes, por conta de madeira, de que a região era fértil. Era uma região de difícil acesso, montanhosa e com poucas áreas propícias à lavoura. Havia também o saque às pequenas plantações, margens dos rios quase sempre alagadas. Presença esporádica de bugres. Uma extensa mata, entre a Serra do Mar e a Serra Geral completava a paisagem geográfica, tão diferente da sua Polônia.
Impunidade, porém, parecia ser a ordem do dia. A soma desses fatores contribuiu para a transmigração, embora a determinação de Sua Majestade, D. Pedro II tivesse sido clara quanto à permanência deles nas Colônias.
Em outubro de 1869: “chegaram mais 46 polacos que foram recebidos muito bem e igualmente foram bem tratados (...) e logo foram empregados nos serviços coloniais” (Jornal O Despertador/Florianópolis, 1871).
É. Parece que a conversa entre as autoridades era desconectada. A troca de correspondência, no entanto, era farta. Se o português era a língua oficial, uma linha tênue entre ele e o polonês (que poucos sabiam) levou à um clima de discórdia e confusão. Um roteiro completo para que ocorresse a transmigração.