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Colonos poloneses de ‘Sixteen Lots’ e do ‘Dezesseis’?

Em 15 de fevereiro de 1867, desembarcou a primeira turma de colonos de língua inglesa em Brusque, então Colônia Itajahy, para surpresa de Schneeburg que não desejava colonos não alemães. Eram 98 ingleses que vinham fundar um núcleo nas terras demarcadas pelo Eng. Carlos Garçon Rivieri, em 1856-58, no Ribeirão do Braço do Cedro e o Ribeirão do Cedro Grande, no bairro D. Joaquim. A colônia foi criada por Decreto do Imperador a 16 de janeiro de 1866  denominada ‘Colônia Príncipe D. Pedro’, em homenagem ao nascimento do Príncipe D. Pedro Augusto, filho da Princesa Leopoldina e do Duque de Saxe, nascido em 1866. Essa colônia receberia depois, em agosto de 1869, uma leva de 16 famílias polonesas vindos da Silésia, na Polônia. Daí o nome ‘Sixteen Lots’– 16 lotes, identificado no mapa de Frederik Heeren, de setembro de 1867. Mas os poloneses não se adaptaram e organizaram a transferência para uma região nos arredores de Curitiba, cuja narrativa é da historiadora Maria do Carmo Ramos Krieger no livro “Uma geografia...”, 2019. 

Nos anos de 1888-1896, ocorreu nova imigração de poloneses, vindos de Lodz, na Polônia ocupada por russos. Alguns tinham a profissão de tecelão, entre eles Carlos Haake, filho de Mutter Haake, a primeira tecelã da Fábrica Renaux, conforme registrou Lauth em ‘Sindicalismo em marcha’, pelo aniversário em 1949, com a presença de Otto Renaux, diretor da FATRE. Assim, em entrevista a Maria do Carmo, esta perguntou a Haake se ele ouvira falar em ‘Sixteen Lots’; e ele fez que não. O interprete, pai da entrevistadora, esclareceu: os ‘Dezesseis’? E ele sorriu: ‘Ah! Na Claraíba!’ E então a história tomou outro rumo, como sendo os mesmos lugares! São distintos e se assemelham apenas por evocar o numeral 16. ‘Dezesseis’ era o vocábulo de quilometragem que uma carroça de dois cavalos, carregada de carga, viajando por 4 horas, precisando parar para descanso dos animais. Na Colônia Itajahy, foram demarcadas duas paradas de carroceiros: a primeira no distrito do Barracão, hoje Praça da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Gaspar. Já no final do século, os arredores foram ocupados por escravos negros da Penha, fugitivos e alforriados, que trabalhavam para o Senhor Luís Rodrigues, dono do espólio da Armação de Pesca de Baleiras, em Itapocorói. Uma história fascinante de se ouvir, que contempla a ação da Virgem Maria a seus devotos, e aos nem tanto! O outro ponto de carroceiros foi os ‘Dezesseis’, grafado também ‘Km 16’, mais tarde denominado ‘Aliança’ e, finalmente distrito de ‘Claraíba’. Havia uma árvore nativa conhecida por claraibeira, sob a qual as caravanas de boleeiros descansavam antes de seguir a Tijucas Grande e Desterro. 

Resumindo, as duas denominações se referem a pontos geográficos diferentes, um no Cedro Grande, atual D. Joaquim, conforme o mapa Eng. Heeren; a outro, no trajeto para Nova Trento, tendo ambos recebidos os poloneses, mas em épocas distintas. Os primeiros fugiram da Colônia Príncipe D. Pedro e os segundos, assentados na linha Nova Trento, dos quais muitos foram empregados da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux. Por que Haake se lembrou dos ‘Dezesseis’? Como luterano, ele conhecia seus colegas da fábrica e onde residiam, bem como os Pastores em cerimônias religiosas de nascimento, casamento e morte, anunciadas nos cultos dominicais. Basta ver a centenas de registros da Paróquia Bom Pastor – IECLB, na primeira metade do século XX, dos polacos que nasciam, morriam ou se casavam nos ‘Dezesseis’ de Nova Trento, sob a assinatura de um Pastor luterano.