Dia dos pais
A parábola do Filho Pródigo nos reporta ao cotidiano das nossas famílias. Para quem é pai e para quem é filho, transmite uma grande mensagem. O filho, ao crescer, precisa e busca a independência. Por mais que se prospecte o futuro, cada indivíduo busca a sua autonomia, quer fazer do seu jeito. A experiência acumulada da casa tem enorme contribuição nas atitudes, no relacionamento, nos negócios. Os ensinamentos nunca são em vão, mas ele vai fazer ao seu modo. Busca outras alternativas, inova. Isso é normal.
A parábola leva a mensagem para os milhões que tiveram a experiência de sair, de ir em busca do novo, que deu certo, que podem narrar a sua história de vencedor, de vitorioso. Leva a mensagem principalmente para quem está em trânsito, está realizando, que saiu de casa, fazendo a faculdade, que parece longa e difícil, com ansiedade, que não sabe como será ao terminá-la, que custa, que precisa otimizar os recursos. Existe alguém fora do filme, quieto, garantindo, dando certo ou não, guardando o lugar, para qualquer resultado. Se não der certo, tem para onde voltar, de qualquer segmento do caminho. Guarda muito mais que a herança.
A parábola nos remete aos extremos do que pode ocorrer neste voo que cada um terá que fazer para ter e merecer seu destaque. Para quase a totalidade deu certo e continuará dando, isso faz parte da vida. Até mesmo no máximo da imprudência e da extravagância de alguns, o pai dele estará pronto para acudir e recebê-lo de volta. Pai provedor, amigo, solidário. Se fosse expresso numa função matemática, o limite seria o seu infinito. No espectro de Pai cabe a história de cada um.
Cada um tem um cenário; a referência é a origem, a infância. No meu, coloco mais de 120 famílias que moravam no Lageado. Poucas tinham menos de 7 a 8 filhos. Conhecia todas pela escola e a Igreja. Nós éramos em 9 irmãos. Os filhos, ao atingirem a maioridade, de 20 a 22 anos, vi saírem de casa e do lugar. Não havia terra agricultável para todos. Ficava o filho mais novo. Com o tempo, diminuiu a população. O pai deles ficou lá como quem guarda o seu lugar. Com a despedida deles, as terras plantadas voltaram ao original. Na minha, como nas demais famílias, agora cada filho tem guardado do velho pai um espaço para um sítio.
A parábola toca cada um no seu cenário, cria em cada um a cautela de filho e o comportamento de pai. A partida, levando ou não sua herança, não impede o seu retorno. A complacência de pai é sempre maior; se repete todos os dias. Enquanto cada filho puder contar com orgulho histórias de seu pai, podemos crer num futuro ainda melhor.
Sem esquecer da mãe, quando você não conseguir descrever o quanto alguém pode lhe beneficiar, chame-o de Pai, figura que até o narrador original da parábola usou para explicar de onde vêm todas as graças.