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Editorial: A aliança necessária

As obras do escritor J.R.R. Tolkien, que escreveu livros famosos como Terra-Média, o Hobbit e O Senhor dos Anéis, costumam trazer um elemento crucial para o desfecho: alianças entre aqueles que, historicamente, são adversários, para alcançar um objetivo em comum.

Criaturas do universo de Tolkien, como elfos e anões, se uniram aos humanos na luta contra as forças do mal. Embora não tivessem admiração mútua, todos entenderam que, naquele momento, a união era a única alternativa à derrota. 

Em O Hobbit, na chamada batalha dos Cinco Exércitos, eles estavam sendo derrotados enquanto lutavam sozinhos, e só viraram o jogo quando os três exércitos se uniram como se fossem um só. É uma pena que, trazido para o contexto da política local, a metáfora não se materialize.

Recentemente, o jornal O Município publicou reportagem na qual indica que há pelo menos 12 pré-candidatos a deputado da região de Brusque, lutando por espaço para serem indicados pelos seus respectivos partidos.

A maioria desses candidatos estão alinhados no mesmo espectro político e poderiam, se a intenção fosse vencer a eleição, seguir o exemplo das criaturas de Tolkien, e se unir para enfrentar a batalha das urnas. 

No entanto, ao lançar uma candidatura, os partidos locais têm, na maior parte das vezes, intenções distantes da vitória. Alguns o fazem apenas para marcar presença, outros para rivalizar com adversários, e alguns poucos de fato sonham com uma cadeira na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa.

Brusque, Guabiruba e Botuverá  tem cerca de 120 mil eleitores regulares, mais do que suficiente para, com união, eleger dois deputados na Assembleia Legislativa, fato que não acontece desde 2014, quando Serafim Venzon (PSDB) foi eleito com mais de 50 mil votos. 

Mas isso não vai acontecer se houver um grande número de candidatos disputando e dividindo os votos. Torcemos para que, com a aproximação das eleições, haja um afunilamento das candidaturas, e que isso permita o lançamento de menos nomes, melhor escolhidos, com chances reais de sucesso eleitoral.

Isso, inclusive, estimularia o eleitor de Brusque a manter o seu voto aqui, já que, muitas vezes, ele tende a não “desperdiçar” o seu voto com candidatos que supõe não terem chance de vitória. 

Que os partidos entendam que não ter um representante de Brusque no Parlamento custa caro para a cidade, que fica sem voz ativa nas discussões estaduais, e acaba ficando atrás de municípios com mais força política. Ainda há tempo, basta que impere o bom senso e o interesse coletivo seja posto na na frente das pretensões individuais.