Ir para o conteúdo

Editorial: A má alimentação do brusquense

Nesta semana, o jornal O Município publica reportagem na qual informa que Brusque é uma das dez cidades do país que mais consomem produtos ultraprocessados. Os dados foram divulgados pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo (USP).

Os ultraprocessados são formulações de ingredientes utilizados pela indústria que contêm pouco ou nenhum alimento intacto. Conforme o estudo, das calorias ingeridas diariamente pela população de Brusque, 26,8% derivam dos ultraprocessados.

O fato da cidade estar entre as 10 que mais consomem foi surpreendente, e é um sinal de alerta. Como é amplamente divulgado pelos órgãos de saúde pública, esses alimentos constituem um hábito não saudável, e recomenda-se o consumo com moderação.

Quando a ingestão de ultraprocessados corresponde a quase 30% das calorias diárias, como é o caso de Brusque, revela-se que a população não está se alimentando adequadamente.

Além disso, é preciso que a população tenha clareza dos riscos do consumo excessivo deste tipo de alimento. Os ultraprocessados apresentam riscos significativos à saúde, podendo levar a doenças como obesidade, diabetes, complicações cardiovasculares e ainda aumentar as chances de desenvolver alguns tipos de câncer.

Há estudos indicando, ainda, que o consumo excessivo de ultraprocessados pode contribuir para problemas de saúde mental e também elevar o risco de morte precoce.

À primeira vista, quem lê este editorial pode pensar: “por que outras pessoas devem dizer como devo me alimentar? O que importa a minha alimentação para os outros?”

Na prática, no entanto, há uma ligação direta do consumo individual de ultraprocessados com a saúde pública.

Conforme dito, esses alimentos elevam os riscos de se desenvolver doenças graves, que exigem internações e tratamentos caros e complexos. Dessa forma, o crescimento dos maus hábitos alimentares levará, eventualmente, a uma sobrecarga no sistema público de saúde, o que afetará a vida de todos os cidadãos.

Por isso, é importante que todos comecem a pensar sobre a alimentação a partir da perspectiva de saúde pública, é um assunto que deve ser pautado não só pela mídia, mas também pelos órgãos públicos, sobretudo aqueles vinculados ao setor de saúde e alimentação.

Não podemos assistir passivamente o aumento de um hábito que eventualmente levará nossa sociedade a adoecer mais e reduzir sua expectativa de vida.

O estudo vale como um ponto de atenção para que haja conscientização efetiva sobre o tema, e que se pense em iniciativas que valorizem a alimentação mais saudável, como hortas comunitárias, educação alimentar nas escolas, incentivo aos produtores de alimentos saudáveis, entre outros.

Esta reportagem pode ser o ponto de partida para que efetivamente possamos mudar os nossos hábitos de consumo. Essa não é só uma luta só do poder público, é uma luta de toda a sociedade, para que, com engajamento, possamos reduzir a estatística de consumo de ultraprocessados e contribuir para uma vida mais saudável.