Editorial: Ameaça grave à infância
Números que causam repulsa: na semana passada, o jornal O Município publicou uma reportagem que mostra que o Serviço de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Savs) chegou a 20 mil atendimentos desde o início das atividades em Brusque. Desses, 73 pacientes estavam sendo monitoradas pelo serviço público, sendo que 50 destes são crianças e adolescentes.
Na mesma semana, o influenciador digital Felca ganhou repercussão nacional após expor de forma muito didática, por meio de um vídeo em seu canal no YouTube, como menores de idade são expostos a pedófilos nas redes sociais. Ele mostrou como criminosos monetizam a erotização e a adultização de crianças e adolescentes. O mais inacreditável de tudo isso é como as redes sociais alimentam estes absurdos e contribuem para a exploração de menores.
Para exemplificar, Felca criou uma nova conta em uma rede social e conduziu o algoritmo a estes conteúdos. Em poucos minutos, a plataforma entregou diversos vídeos de crianças submetidas a cenas que visam o prazer sexual de pedófilos.
Felca fez jus ao título de influenciador. O vídeo, que leva o nome de Adultização, tem 50 minutos e ultrapassa 38 milhões de visualizações. O Jornal Nacional repercutiu o tema e ele participou do programa Altas Horas, com Serginho Groisman, entre outras agendas.
O assunto chegou a Brasília. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que convocará uma comissão para debater a adultização de menores nas redes sociais.
Há quem defenda que os pais precisam monitorar de forma mais incisiva o que os filhos fazem nas redes sociais. Porém, precisamos lembrar que os filhos são mais habilidosos que os genitores quando o assunto é internet. Dito isso, uma pergunta paira no ar: até quando as redes sociais vão permitir esse absurdo?
As plataformas dizem que possuem ferramentas para coibir crimes cibernéticos. Será mesmo? Felca comprovou que, em poucos minutos, com uma conta recém-criada, um pedófilo consegue chegar a conteúdos de crianças em cenas erotizadas.
Lamentavelmente, as plataformas digitais viraram empresas perversas que permitem a exploração do pior que há no ser humano, que são os crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Por não coibirem estas práticas asquerosas, consentem com as redes de pedofilia.
No Brasil, quando se fala em regulamentação das redes sociais, um debate político é gerado. Ao evitar entrar neste vespeiro, os políticos fecham os olhos para os perigos reais presentes nas redes sociais: o consenso com a pedofilia e outros crimes cibernéticos contra nossas crianças.
As redes sociais passaram a ser um universo paralelo. Coisas que na vida real são práticas criminosas e geram sanções por meio da Justiça ficam blindadas no mundo virtual.
O jornal O Município é favorável à regulamentação das redes sociais. Não pelo discurso político-ideológico, mas sim para coibir os crimes contra os mais vulneráveis, que são as nossas crianças e adolescentes. As redes sociais precisam ser responsabilizadas pelos absurdos que consentem. Este é um assunto que afeta todas as famílias e deve ser priorizados pela classe política de Brusque e de todo o Brasil.