Ir para o conteúdo

Editorial: É preciso conscientizar e regulamentar

Nesta semana, o jornal O Município publicou preocupante reportagem sobre o avanço dos casos de dependência de jogos on-line, sendo o mais conhecido deles o popular "jogo do tigrinho”.

A reportagem, feita com base em relatos e dados da Coordenação de Saúde Mental da Prefeitura de Brusque, revela que atualmente seis pacientes estão sendo acompanhados pela equipe da prefeitura, mas a avaliação é de que há uma grande subnotificação, ou seja, caso de pessoas que, por vergonha ou até mesmo por acharem que não há nenhum problema, deixam de procurar ajuda.

Desses seis pacientes com tratamento em andamento, dois são homens e quatro são mulheres. As principais plataformas utilizadas por eles são os cassinos on-line e o chamado jogo do tigrinho. A avaliação dos especialistas é que a situação já é um problema emergente na saúde pública, sobretudo pela velocidade com que os jogos virtuais se popularizam e se tornam acessíveis à população.

Após a publicação da reportagem, o empresário Luciano Hang, da Havan, repercutiu o tema em suas redes sociais. Ele relembrou que, há cerca de um ano, fez um alerta semelhante, de que colaboradores da empresa estavam se endividando por causa dessas plataformas.

“Agora, a situação está ficando ainda pior. Hoje, ao ler o jornal da minha cidade, me deparo com uma matéria sobre a epidemia das apostas. As pessoas estão gastando cerca de R$30 bilhões por ano com bets”, afirmou o empresário.

Luciano comentou também algo que é notado nos serviços de saúde mental: para além das questões econômicas, as pessoas estão destruindo relações familiares, perdendo seus empregos e credibilidade em virtude do vício em apostas.

Algo que é tratado como entretenimento sadio mostra-se, cada vez mais, nocivo à economia e à saúde pública. A partir do momento em que o poder público precisa alocar recursos para tratar a dependência de jogos, é um sinal de que uma linha perigosa já foi atravessada.

É preciso que o poder público haja e faça a regulação do tema, não apenas exigindo registro, como ocorreu recentemente, mas de fato regulamentando a propaganda e o acesso.

É preciso haver restrição à propaganda, como acontece no caso dos cigarros, em que a própria embalagem precisa informar os riscos de seu consumo de forma clara. E também é preciso conscientização massiva da população de que esse tipo de aposta é viciante e arriscado.

Isso se torna ainda mais necessário tendo em vista, que conforme a reportagem, o perfil predominante dos dependentes observado em Brusque é composto por pessoas em idade produtiva, geralmente economicamente ativas, e o aspecto que mais chama atenção nos acompanhamentos são as significativas perdas financeiras acumuladas, muitas vezes com impacto direto nas relações familiares, profissionais e sociais.

Caso contrário, a sociedade está fadada a ver cada vez mais vidas sendo desperdiçadas por um vício que se soma aos tantos outros já existentes, quando isso poderia estar sendo, neste exato momento, contido pelas autoridades competentes.