Editorial: Oportunidade única
Nesta semana, a tradição do dialeto bergamasco de Botuverá pôde ser conhecida por mais de 300 estudantes, professores, autoridades e convidados de Botuverá, com a realização do projeto “Cine Educação – Botuverá: Terra dos Bergamascos”, exibido no Cine Gracher Havan em quatro sessões, na terça e quarta-feira.
Trata-se de um compilado de uma série de documentários produzida pelo jornal O Município em 2023 e 2024. O filme mostra como Botuverá, um município de apenas 6 mil habitantes, concentra uma comunidade de descendentes de italianos que valoriza um dialeto trazido pelos imigrantes de Bérgamo, na Itália, há 150 anos.
Quando as exibições foram concluídas, o sentimento que ficou entre os presentes era unânime: foi um dia histórico para Botuverá.
Isso porque, além da valorização da cultura local, por meio do resgate histórico das origens e da popularização do dialeto no município, a produção também abordou o declínio da utilização da língua bergamasca no dia a dia, apontando as causas e as medidas que podem ser tomadas para que ela se mantenha viva em Botuverá.
No cinema, estavam presentes o prefeito Victor Wietcowsky e seis dos nove vereadores do município. Eles tiveram acesso a todo o levantamento feito cuidadosamente pela equipe do jornal O Município para detalhar os principais pontos que ameaçam a preservação do dialeto.
Dessa forma, os representantes dos poderes Executivo e Legislativo, que de fato detém o poder de ação, tiveram todas as condições de entender quais são as dificuldades e as possibilidades de fomento ao bergamasco.
Esta é uma oportunidade única, que precisa ser abraçada pelos governantes. O jornal fez a sua parte com a produção editorial e a divulgação em grande escala da cultura botuveraense, e cabe agora ao poder público tomar medidas para que essa valorização tenha continuidade.
No entanto, esse resgate cultural precisa ser também abraçado pela comunidade. De nada adianta a prefeitura criar ações para difundir o dialeto, se essas ações não encontrarem eco e apoio nas famílias, as quais precisam entender a importância de repassar esse legado aos filhos e netos.
Se houver essa união entre a sociedade e o governo, é mais do que certo que a cultura única de Botuverá continuará a ser motivo de orgulho para a nossa região.