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Editorial: Racismo em discussão

Brusque tem se tornado, cada vez mais, uma cidade que atrai pessoas de todos os lugares. Recentemente, por exemplo, o IBGE divulgou a nova estimativa populacional, que estima a população atual do município em 155 mil habitantes.

Além disso, é uma cidade que, apesar do crescimento demográfico, consegue manter bons índices de desenvolvimento. Conforme publicamos nesta semana, houve avanço no ranking de Competitividade dos Municípios de 2025, em que Brusque registrou um salto de 12 posições em relação a 2024, alcançando a 78ª colocação nacional entre mais de 400 cidades com mais de 80 mil habitantes.

Também nesta semana fomos agraciados com boas notícias no esporte: o Brusque conseguiu se classificar à próxima fase da Série C do Campeonato Brasileiro, enquanto o Carlos Renaux sagrou-se campeão da Série B do Campeonato Catarinense, o primeiro título estadual do Vovô em 72 anos. O basquete também fez bonito, e foi campeão do Sul-brasileiro.

Mas, por outro lado, nem tudo são boas notícias. Esse desenvolvimento da cidade também alavanca questões negativas, que precisam ser enfrentadas. A vinda constante de migrantes e de pessoas com culturas diferentes, novos sotaques e novos tipos de religião eventualmente dá margem para o aumento dos conflitos.

Um dos indicadores negativos revelados recentemente foi o aumento das denúncias de racismo e injúria racial feitas à polícia. Esse é um indicador relativamente novo na segurança pública de Brusque pois, embora casos de racismo aconteçam desde sempre, o protocolo de denúncias não era, até pouco tempo atrás, uma ação corriqueira.

Conforme especialistas ouvidos na reportagem, não se trata de um aumento real dos casos de racismo, mas sim de uma maior conscientização das pessoas agredidas, que não se calam e procuram as autoridades.

Apesar do Brasil ser um dos países mais miscigenados do mundo, sabemos que o preconceito racial ainda está presente na nossa sociedade, e é um assunto que precisa ser tratado com respeito e atenção.

Recentemente, por exemplo, chamou atenção o caso do vereador de Joinville que chamou de “lixo” o estado do Pará e propôs projeto para restringir a migração de nordestinos para o município.

Devido às mudanças na legislação e ao aumento do nível de informação recebido, as pessoas efetivamente estão expondo as situações de preconceito pela qual passam. Neste sentido, Brusque deve promover ações de conscientização e sair na frente neste debate.

Afinal, somos um povo migrante, que aqui chegou vindo de terras distantes, e recebemos muitos migrantes anualmente. A cidade precisa ser acolhedora, e não fechar as portas para quem tem a cor da pele ou o sotaque diferente.

O preconceito racial não é e nunca será condizente com a ideia de sociedade acolhedora que temos em Brusque, uma cidade que promove amizades em vez de criar inimigos.

Dessa forma, a cidade, por meio do poder público e da sociedade civil organizada, tem o dever de promover o debate e a conscientização de todos, para que os casos de racismo, em vez de aumentar, diminuam, e este passe a ser mais um indicador social positivo, entre tantos outros que Brusque já ostenta.