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Editorial: Reciclagem em Brusque – entre o discurso e a prática

Na última semana, o jornal O Município publicou reportagem que mostra que a coleta seletiva de lixo, serviço que separa materiais para reciclagem, é pouco utilizada pela população de Brusque, conforme avaliação da concessionária do serviço, a Veolia. De janeiro a junho, foram coletadas, em média, 19 toneladas de resíduos sólidos por dia em Brusque, incluindo recicláveis e não recicláveis. Destas, a coleta seletiva representa apenas 11,31% do total.

Os dados são preocupantes. Em tempos em que o discurso ambiental está na moda e termos como “sustentabilidade” e “aquecimento global” estão na pauta de quase todas as rodas de conversa, esse número mostra uma realidade incômoda: a distância entre o que se diz e o que se faz.

Afinal, a prática precisa estar alinhada ao discurso. Não adianta nada trocar o canudinho de plástico por um de inox se, em casa, o lixo orgânico vai junto com o papel, o vidro e o plástico, inviabilizando a reciclagem.

Além disso, não é difícil e não há custos em separar o lixo. Basta ter um recipiente para orgânicos e outro para recicláveis. A incoerência entre o ativismo virtual e a prática cotidiana é o verdadeiro vilão da pauta ambiental em Brusque.

A estrutura para reciclagem existe. A empresa responsável pela coleta tem os equipamentos e a capacidade. O que falta é o hábito e a educação. É confortável falar em preservação ambiental nas redes sociais. Defender essa pauta publicamente geralmente traz boa repercussão. Mas separar o lixo em casa, dia após dia, parece exigir esforço demais. E é justamente nesse ponto que falhamos: na consistência, na prática e na responsabilidade individual.

Separar o lixo corretamente também alimenta um mercado de trabalhadores e famílias sustentadas pela reciclagem em Brusque. Quando separamos os recicláveis, contribuímos não só para o meio ambiente, mas também para a economia.

O Marco Legal do Saneamento estabelece metas para o correto manejo de resíduos sólidos até 2033. Dessa forma, em breve separar o lixo não se tratará mais de apenas de uma escolha, mas se tornará uma obrigação legal.

A questão da reciclagem não é um problema apenas local. É um desafio mundial, que tem sido enfrentado com sucesso em diversos países, onde políticas públicas eficientes caminham ao lado do engajamento real da população. Brusque, com sua estrutura já existente, poderia estar em outro patamar se houvesse maior comprometimento social.

Está mais do que na hora de os brusquenses encararem o lixo como um problema que começa dentro de casa. A salvação do mundo pode parecer um exagero, mas começa, sim, com pequenas atitudes cotidianas.