Ir para o conteúdo

Editorial: Um remédio amargo, mas necessário

Pacientes oncológicos necessitam, na maior parte das vezes, de tratamento com quimioterapia, considerada uma das formas mais eficientes de reduzir ou até mesmo eliminar os tumores.

No entanto, esse tratamento é costumeiramente difícil: o medicamento age não só sobre o câncer, mas também causa efeitos colaterais agressivos: náuseas, vômitos, queda de cabelo, fraqueza e indisposição, entre outros.

Dado a essa agressividade dos efeitos colaterais, há até casos de pacientes que preferem não enfrentar o árduo tratamento, vivendo em cuidados paliativos, da forma mais confortável possível.

Na administração pública, porém, isso não pode ser feito: é preciso enfrentar o problema com o tratamento adequado, mesmo que o remédio provoque transtornos e dores por tempo prolongado.

Um exemplo disso é que, recentemente, em Brusque, a cidade ficou novamente com vários trechos debaixo d’água, devido às fortes chuvas que caíram no período entre o Natal e o Ano Novo. Os alagamentos afetam o município durante toda a sua história, e é preciso que o governo tome medidas para minimizá-los.

Uma dessas medidas é um remédio amargo: as obras de macrodrenagem na avenida Primeiro de Maio, uma região que historicamente é das mais afetadas pelas cheias, têm gerado uma série de transtornos para a população.

Os bloqueios no tráfego de uma região extremamente movimentada geram estrangulamentos no trânsito, e exigem muita paciência dos motoristas. A obra é impopular, pois, na prática, atrasa a vida da população.

Mas essa impopularidade precisa ser deixada de lado. O governo não pode se deixar influenciar por reclamações de transtornos para, por exemplo, não realizar uma intervenção considerada necessária.

A população, por outro lado, precisa também entender a complexidade da situação: um problema histórico como as cheias no município não vai se resolver sem intervenções estruturais de grande monta, as quais obviamente vão causar problemas na vida cotidiana.

Obviamente, o governo precisa elaborar a melhor estratégia para minimizar os danos das obras, e cobrar da empresa que cumpra os prazos estipulados. Além disso, o comércio local precisa ser amplamente preservado, de forma que sejam evitados prejuízos financeiros.

Mas é preciso haver bastante paciência, pois os transtornos continuarão por pelo menos mais seis meses, e tendem a se intensificar com a volta às aulas, em fevereiro.

Dessa forma, as chuvas do fim de ano foram um lembrete que não se pode esmorecer, e deixar de dar a devida importância às obras estruturantes. Um remédio amargo não é pior do que a resolução do problema, e isso precisa ser assimilado por todos.