Fofocas e o crime que abalou Brusque
Os vizinhos personagens. Abércio Gracher, casado, vereador eleito na eleição de 1966 com 458 votos pela Arena e Yolanda Piaza Diegoli, esposa do ex vereador e prefeito Anibal Diegoli.
No dia 14 de abril de 1969, segunda-feira, Abércio levantou cedo e como fazia todos os dias levou sua esposa para o local de trabalho e retornou a sua residência. Na outra casa, a Sra. Yolanda, na sua missão de esposa e dona de casa preparou o café para o marido e empresário Aníbal.
Às 8h30 ele saiu rumo ao seu local de trabalho. Já Abércio aguardava esse momento, preparado para colocar em prática seu funesto objetivo. Alguns minutos após a saída do Sr. Anibal, ele entrou na casa do vizinho pelas portas do fundos. Encontrou Yolanda na cozinha e disparou 6 tiros de revólver calibre 22 na indefesa mulher. Em seguida saiu com seu carro, fez algumas visitas e depois se entregou ao delegado de Polícia.
Minutos depois a Rádio Araguaia anunciou a tragédia e Brusque parou. Empresários, comerciantes, advogados e políticos deixaram seus locais de trabalho e foram, de imediato ao Café Pigalle, que ficou totalmente lotado em pouco tempo.
E todos faziam a mesma pergunta: – Porque o Abércio cometeu tamanha loucura? O que a Dona Yolanda teria feito de tão grave contra ele? Em seu depoimento ao delegado Osni, Abércio alegou fofocas pessoais como os motivos que o levaram a cometer o bárbaro crime.
Na edição da semana o editorial do jornal O Município, assinado por Basílio Pereira, registrou: Não é preciso dizer que a tragédia da manhã desta segunda-feira abalou Brusque. Basta recordar que um homem de projeção social, vereador eleito com expressiva votação, assassinou friamente a tiros de revólver a mulher do seu vizinho. E o resultado irascível deste gesto de loucura aí está. Duas famílias estigmatizadas e mutiladas pela desgraça e feridas de tal modo que nem o tempo as poderá sanar.
No dia 26 de fevereiro de 1970 foi realizado o ansiosamente aguardado júri popular, tendo como local o Clube de Caça e Tiro Araujo Brusque, que ficou completamente lotado até o final.
O júri foi comandado pelo juiz Erasmo Rodrigues e se prolongou noite adentro, até as 7 horas da manhã do dia 27, quando foi lida a sentença: 16 anos e 8 meses de prisão a ser cumprida na Penitenciária do Estado, em Florianópolis.