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Guia da cidade de Brusque

Junho de 1947. Qual o tipo de informação sobre atacadistas de cereais, casas de ferragens, concertos de guarda-chuvas e sombrinhas, engarrafadores de vinho e engenhos de serra na cidade de Brusque? Ou saber o endereço de lojas de chapéus, lojas de rádios e pertencentes, mercadores de telhas?

Se o caso fosse niquelar metais, concertar relógios, calçados, bicicletas ou acordeons, encontrar um salão de ondulação, permanente e manicura, uma selaria ou mesmo um pombeiro (corro ao Dicionário Aurélio e constato: Pombeiro:

1. Negociante ou emissário que atravessava os sertões comerciando com indígenas; 2. Espião da polícia; 3. Vendedor ambulante de pombos, galinhas, etc. Qual deles seria o ramo indicado? Imagino que o número 3 se aplicasse à Brusque de então), o negócio era procurar no GUIA DA CIDADE DE BRUSQUE, organizado por Oscar Gustavo Krieger.
Com edição esgotada, o autor, em outubro de 1953, publicaria um Pequeno Tratado de Brusque, também contendo ‘preciosas informações sobre a cidade com 32.351 habitantes’ (Censo 1951).

Ambos os trabalhos resultaram do empenho de quem, preocupado ‘em servir e cooperar para que Brusque se torne cada vez mais conhecido’, escreveu, ressaltando que o guia e o Pequeno Tratado ‘deveriam alcançar uma objetividade capaz de atingir o magistério, os escolares, a comunidade’.

As publicações visavam atender as curiosidades dos turistas, prestando-lhes informações sobre bares, cafés, churrascarias, confeitarias, hotéis e meios de transporte, localização dos logradouros e uma Lista Telefônica atualizada e em ordem alfabética, com a relação de 190 assinantes que a cidade possuía àquelas alturas dos anos de 1947 e 1953. Ou ainda indicando as 109 vias públicas, nominadas uma a uma.

Os assinantes das caixas postais dos Correios e Telégrafos mereceram divulgação. Foi Oscar quem consegui introduzir em Brusque o sistema de assinatura das caixas postais. Ele próprio declinou do aluguel da caixa número 1 para a Firma Renaux e escolheu a de número 4 para locar, tendo permanecido com ela por muitas décadas.

Os anúncios eram tanto da Livraria Nossa Senhora Aparecida que oferecia ‘qualquer tipo de imagem desde 15 até 100 centímetros, em pintura simples, mas rica, especial, com olhos de cristal’ ou da Loja das Malas, de Moacir José Laus, com ‘artigos para seleiros e sapateiros, malas e colchoes de molas’.

Em 1960 comemorava-se o aniversário da fundação da cidade, momento em que Oscar lançou a 2ª. edição do Guia, ressaltando que era como ‘um livro aberto, acrescido de novos dados estatísticos, novos aspectos fotográficos e informativos, que nos traz orgulho da terra em que nascemos’.

Com certeza! Pois sem o Guia, como saberíamos, hoje, que em Brusque daquela época eram realizadas ‘viagens confortáveis, somente com um dos automóveis dos Irmãos Lívio, Arno e Osmar Pruner’? Ou que a ‘Fábrica de Refrigerantes Mirim, de Florêncio Domingos, mantinha em seus depósitos um estoque de Pérola... a pérola das cervejas’, conforme o próprio anúncio? E que as donas-de-casa não teriam mais problemas com lavação de roupas, se tivessem uma ‘Prima – a afamada marca de lavar roupa que só falta falar? – vendidas naqueles dias em suaves prestações’, conforme propaganda das Lojas Straetz’? Há que se dizer que as Lojas Straetz ainda existem, no centro de Brusque!

Em 2025, quase oito décadas depois, saber que meu pai foi um pioneiro no campo de publicações sobre a cidade, transmite um orgulho especial!