Imigração Tirolesa em Guabiruba – Lageado Alto – 150 anos – Memória Fotográfica – Parte I
Com previsão de lançamento na segunda quinzena de agosto, o novo livro de autoria do Pe. Eder Claudio Celva, intitulado “Imigração Tirolesa em Guabiruba – Lageado Alto – 150 anos – Memória fotográfica”, em breve estará à disposição dos leitores. Autor de mais de uma dezena de livros, padre Eder é envolvido pelo amor ao que é próprio de sua terra, e em suas obras têm traduzido a linguagem, os hábitos e os costumes de Guabiruba. Ele também escreve sobre a história de personalidades e instituições da Arquidiocese de Florianópolis, um serviço pessoal e livre que presta à Igreja.
Numa síntese das palavras do próprio autor, compartilho um pouco do muito que representa esse novo livro, um verdadeiro presente ao Lageado dos tiroleses de língua italiana. Segundo padre Eder: “Para a pequena comunidade de Lageado Alto, 2025 é um ano memorável, pois faz lembrar a gênese do povo ali estabelecido. Esperávamos essa oportunidade para marcá-la, publicando um novo livro relatando o resultado de pesquisas que continuamos a fazer. Mas queríamos também com isso manifestar o quão cheio de imperfeições foi o nosso primeiro trabalho: ‘Imigração Italiana em Guabiruba, (2008) ’, que tem muitas lacunas, a começar pelo seu título, pois o correto teria sido intitulá-lo ‘Imigração Tirolesa em Guabiruba’.
Italiano foi sempre a marca identitária que outros nos impingiam e nós mesmos nos impingíamos nas últimas décadas. Já distantes das raízes históricas e das gerações protagonistas e pioneiras, ficava valendo a língua – um dialeto “italiano”- como caracterização de pátria de origem. Já durante a Segunda Guerra, o fato de alguém ser descendente de estrangeiros, praticando os costumes, usando a língua e manifestando a cultura dos europeus, por exemplo, passou a ser alvo de desconfiança e de vergonha, tornando-se imperativo 'abrasileirar-se’.
Depois que esse tempo passou, vieram as décadas de 1960-1970, tempos em que a modernidade foi gradativamente entrando na comunidade, especialmente por meio da popularização do rádio e, logo em seguida, pelo uso da TV. Essa nova realidade na transmissão das informações trouxe consigo uma mudança de mentalidade, no então isolado e tradicional Lageado Alto, no interior do município de Guabiruba, que, até então, era mais parecida com o velho Tirol austríaco do que com o Brasil.
O processo de interação do lugar com o país trouxe consigo uma mudança cultural identitária, que mudou drasticamente a cultura do povoado. No arco de uma geração apenas, as mudanças foram vertiginosas. Essas transformações se tornaram mais significativas com o incessante êxodo rural que se seguiu por décadas e que só estancou recentemente quando, por causa do cansaço da vida humana nas cidades, e de uma certa importância turística, que deram uma nova face à localidade, transformando o Lageado em uma espécie de loteamento rural.
Ultimamente o Lageado despertou atenção e ganhou certa importância por firmar-se como local de cultura italiana. Isso aconteceu com nossa discreta participação, depois do ano 2000 quando, ainda adolescente, iniciamos as nossas incipientes pesquisas de forma amadora e simples. Era a primeira vez que Lageado, de uma forma mais abrangente, tomava a palavra e contava a sua história. Estamos, então, celebrando intimamente um quarto de século daquela nossa humilde iniciativa realizada inicialmente com nossos avós e bisavós e, depois, peregrinando de casa em casa, para fazer com que o Lageado abrisse a alma, narrando as experiências dos tempos antigos, dos avoengos, dos pais e avós, dizendo o que ouvira falar desde a infância, relatando o seu passado e o passado dos seus. Nossa menoridade, com poucos recursos e analfabetismo nessa arte, pouco possibilitou confrontar melhor as fontes orais, quando estava a terceira geração a falar”.