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Imigração Tirolesa em Guabiruba – Lageado Alto – 150 anos – Memória Fotográfica – Parte II

Em continuidade sobre o novo livro do Pe. Eder Claudio Celva, intitulado “Imigração Tirolesa em Guabiruba – Lageado Alto – 150 anos – Memória fotográfica”, com lançamento agendado para agosto próximo, compartilho mais um pouco do muito que representa esse novo livro.

Segundo as palavras do próprio padre Eder: “Era então aceitável supor-se o que os tiroleses de Lageado eram parte de uma cultura italiana já consolidada. Quiçá essa interpretação tenha sido necessária naquele momento, pois havia uma estranheza em falar de cultura tirolesa. Por ignorância, Tirol soava – e ainda soa – como algo que não se sabe dizer o que é. Que país seria o Tirol? Austríacos, parecia soar mal, pois o termo indica no ideário, identificação alemã. Ainda por razões linguísticas, coisa que atingia o cotidiano dos moradores, que em sua maioria ainda falam o dialeto, e pelo fato de a região austríaca dos imigrantes tiroleses já estar desde 1921 pertencendo a Itália, ficava sendo essa a pátria dos tiroleses, sendo muito compreensível que tenha acontecido essa espécie de degeneração, coisa verificada em praticamente todos os lugares onde se estabeleceram tiroleses.

Como o Lageado era um lugar esquecido, e a cidade era tipicamente alemã, era preciso primeiramente manifestar que ali havia outra etnia, e sua caracterização seria entendida e ganharia seu devido lugar, se fosse italiana. Foi desse modo que o Lageado começou a ganhar seu devido lugar no cenário guabirubense. Todo movimento gera reações e, assim, uma plêiade de pessoas seguiram pelo caminho que se abriu.

Nosso livro Imigração Italiana, foi nesse sentido um marco importante: aos poucos foi surgindo em Lageado Alto: Memorial Ítalo, a festa italiana, o grupo de dança, os grupos de canto, a associação italiana, o circolo trentino e várias outras promoções. Essas iniciativas, enfim, serviram para se fazer uma espécie justiça, atribuindo-nos o mérito que nos cabia.

Esses anos serviram para continuar o trabalho e nada melhor do que a hora presente para apresentá-los, com a correção de rumo por nós pretendida. Deve-se agora, aos poucos, afastar-se as tendências de simplesmente italianizar o Lageado. É preciso que, com esse marco plantado pelo sesquicentenário da imigração tirolesa, seja esta a cultura considerada para identificar as origens da comunidade, e seja ela a capitanear as iniciativas, deixando a etnia italiana não esquecida, pois o Lageado, em 1889, também recebeu pequena leva de italianos que se enquadram no panorama do pioneirismo, mesmo que 14 anos depois dos austríacos.

Sobre o livro (…). As pessoas são pouco propensas a ler, mas são inclinadas a ver. Esse é o motivo pelo qual resolvemos publicar um pequeno álbum fotográfico contendo imagens que foram captadas ao longo do itinerário vivencial da comunidade. Contudo, fotos representam uma grande lacuna para historiografia, especialmente quando um livro é totalmente dedicado a elas. Foram poucas as fotos feitas nas primeiras décadas, pois fotografia era um artigo de luxo... O pouco que se fotografava era para atender às exigências da formalidade, como o registro de alguma questão documental ou para mandar uma lembrança aos parentes da velha pátria, fazendo-se, por esse ato, a caridade de mitigar a saudade dos que permaneceram na terra de origem entre os que dela emigraram. A meia dúzia de fotos que mostram alguns dos imigrantes da primeira hora foi geralmente feita assim. Ademais, nada, ou quase nada, se fotografou...

As lacunas de nosso álbum são muitas (...). Mas, como falamos, nossos olhos pertencem às imagens... Eis porque elas, de alguma forma, serão interessantes e, haja vista a raridade das fotografias, este livro (Imigração Tirolesa em Guabiruba – Memória Fotográfica) passa a ser por isso um importante documentário de nossa comunidade”.