Indígenas de Brusque: matança ou pacificação?
Em reunião a 14 abril de 2024, Acaprena noticiou a invasão do Parque Serra do Itajaí à dep. Ana Paula Lima-PT, que disse desconhecer. Repetiu na troca de administração do Parque das Nascentes à SEMMAS. Por que índios ocupariam terra decretada de preservação permanente? Por quais motivos? A tese do marco temporal do Presidente Lula está embrulhada no STF!
A resposta vem da história. A ocupação da Colônia Itajahy foi conflituosa. Em 1862, Schneeburg oficiou que alguns bugres eram vistos por colonos em suas roças e caminhos, pedindo 6 espingardas para afugentá-los a tiros de pólvora. O problema era o ataque de índios. Porquanto é falsa a ideia de pacificação em Brusque, como no monumento Praça Vicente Só. A fakenews mostra 5 colonos numa canoa, o da cabeceira estica mão aos índios. Nunca ocorreu essa aproximação em Brusque.
Colônia Itajahy tinha 400 colonos, a maioria badenses assentados em lotes longe da sede. Faziam coivara; plantavam aipim, milho, arroz e criavam aves. De início, o índio vinha espiar a plantação, rodava a casa e roubava a roupa do varal, a tralha de trabalho e comida das roças, sempre em grupos. Sentiam-se invadidos em sua própria terra.
Os ataques às colônias se intensificaram no final do século. Segundo o Eng. Emil Odebrecht, que media terras no Alto Itajaí-mirim, perambulavam 150 a 200 no Vale. Meu estudo mostra mais de 60 ataques a colonos, dos quais 28 foram mortos à flechada e paulada na cabeça. O último ataque matou 2 colonos de Botuverá, trazendo pânico à população.
Então, o Superintendente de Brusque contratou ‘uma turma de 8 homens para internarem-se mato adentro a perseguir e afugentar os silvícolas nos primeiros dias de dezembro de 1905 que tinham assaltado casas de colonos no município’. Vicente Schaefer foi autorizado pelo Gov. Vidal Ramos a criar turmas de extermínio. A expedição entrou no Sternthall na Guabiruba a preço de 199$220 reis.
Carlos Boos pagou mais 45$ a 17 pessoas de mato e foi para ver a entrada. O bugreiro era Capitão Manoel Fortunato, aliado a Adolfo Negro, Júlio Kustner, Hugo Kustner e Abraão Colsani. No mato se abria uma picada para localizar os rastros e planejar a tocaia à tribo no amanhecer, enquanto eles dormiam. A ordem era exterminar e tocar fogo na cabana. Terminado o serviço, eles ensacavam um dos crâneo e as orelhas do lado direito como provas, os arcos, flechas e bodoques; e retornavam em 20 dias no máximo.
O bugreiro Martinho custou 130$ na expedição. Seu comparsa Belarmino Luciano e 5 homens de retaguarda levaram 12 espingardas de pólvora. Martinho era de Angelina e residia em Taquaras de Lages. Tornou-se caçador de índios pelo assassinato da mulher e filhos. A 2ª viagem levou 1 arroba de carne seca, fósforos, café, açúcar e 2 kg de chumbo e pólvora. Saiam de Brusque e Blumenau com a mesma missão.
O retorno era na vila. Eles narravam a expedição, mostravam a degola, as orelhas e vendiam as armas. Num desses, trouxeram 2 mulheres nuas e crianças. Duas delas serão adotadas pela família Schaefer, mas nunca lhes caberia herança: assim morreu pobre o índio João Bugre.
E ninguém denunciava? Der Urwaldsbote- Mensageiro da Mata, de Eugenio Fouquet, recomendava o extermínio geral. Já o médico alemão Dr. Hugo Gensch orientava apenas espantá-los. A pacificação virá anos depois no aldeamento do Serviço de Proteção Indígena, em 1914. A aproximação foi feita por Eduardo Lima e Silva Hoerhan, ex-marido da lendária índia ‘Fanny’. Assim, caberia a Prefeitura agora requerer perdão por essas chacinas!