Kríga in Rio – Um bruxquense em Copacabana
E o nosso amigo Kríga, depois de várias semanas sem dar o ar da graça aqui na coluna, resolveu me ligar no feriado de 1º. de maio. Deve ter ido viajar, só pode... Acompanhe o que ele me contou...
Aí Lauritx, tudo certo meu bróder? Te falei que a Krigalene ganhou uma daquelas promoção que tinha pros assinante aí do jornal? Tu lembras que tinha aquela propaganda do Cocô do Hulk que dizia assim: “O Cláudio faz aniversário e quem ganha o presente é você”? Pois então, aqui no jornal Município “o Cláudio fez aniversário e quem foi viajar pro Rio fui eu”, é mole!?
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Então eu tava indo pra Navega pegar o avião, daí resolvi parar pra chapar um caldicana no caminho, pamóde soltar os intestino e não é que acabei chegando atrasado no aeroporto? Cheguei uns 2 minuto e 180 segundo atrasado e tu acredita que os galego não queria deixar eu entrar pra dentro do avião? Pedi pelamordiDeus, nada! Ofereci cinquenta conto, nada! Falei que ía explodir o aeroporto, o cara riu pra caramba e nada! Daí eu resolvi apelar, falei que eu precisava ir pro Rio pra secar o Vasco contra o Botafogo e tu acredita que o galego me liberou na hora, até o comandante veio me recepcionar na porta do téco-téco.
Saímo de Navega com chuva e além das duas mil e quinhentas tonelada de mala que a Krigalene levou junto, carregamo a chuva pro Rio de Janeiro também. Fazia dois ano e meio que não chovia lá, fomo nóis que acabamo com o jejum. Pra piorar ainda mais um pouquinho, por causo da chuvarada posamo o avião no Galinhão, ao invés do Santos Dumont. Ainda bem né, pelo menos fomo pro Rio, eu não queria passar o final de semana na Santa Terezinha! Mas deu tudo certo, chegamo no hotel a tempo de ver a novela do Tufão ainda.
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Acordamo no outro dia e o sol tava meio lusqui-fusqui. Fui dar um confere no café da manhã porque o hotel que o jornal pagou era um 5 estrela! Ô Lauritx, no café da manhã desses hotel tijolada é que tu entende porque os americano, os alemão, os polaco, os russo, enfim, esses paraguaio tudo aí vem pro Brasil atrás de mulher. Galego do céu, as mulher dos cara são uns “nenônho”, sacra hóstia! Tinha umas ali que eu vi chimiando o pão que por Deus nosso Senhor, acho que nunca rasparam o suvaco, parecia a barba do Bin Laden. Tinha umas outra meia mona que nunca foram no cabelerero, o cabelo parecia daqueles cachorrinho de madame, aqueles pudou! Umas outra que tinha a unha feita a facão e depois lixada no esmeril, cruz credo. E o detalhe né Lauritx, elas são tudo mais branca que perna de freira enclausurada! É obrigado os cara querer vim pra cá!”
Mas fui mostrar pra patroa o Cristo e o Pão de Açúcar. Por que todo pobre que se preze tem que ter aquela foto de braços aberto com o Cristo Redentor aparecendo atrás pra colocar no porta-retrato da sala de visita! E conóis não foi diferente. Quando nóis fomo pro Pão de Açúcar, confesso pra ti que passei um cagaçinho. Tava um vento daqueles rapa canela, não tem, e o bonde deles lá é preso por uns fio de aço. Olha, aquilo balançava mais que os titi da Fafá de Belém correndo, sem brincadeira! Mas deu tudo certo, aquela kombi sem motor que eles chama de bondinho é bem jóinha!”
Depois desse kit paisagem todo, tava na hora de encher o pandulho! Fomos almoçar e veio o garção atender nóis:
– Que tipo de cozinha o senhor mais gosta? – perguntou ele.
– A cozinha que eu mais gosto é a limpa, né meu querido! – respondi na seca.
– Não senhor, eu quis dizer o tipo de comida: brasileira, italiana, portuguesa, tailandesa, etc.
– Olha moço, a cozinha que eu mais gosto é a milanesa! Bife a milanesa, peixe a milanesa, queijo a milanesa, camarão a milanesa, frango a milanesa, bistequinha a milanesa, enfim, tudo que for a milanesa eu tô dentro.
Lauritx do céu, o cara me trouxe um bife a milanesa que parecia aqueles dos Flintstone, tá ligado! Dali foi um tombo só!
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De noite, fomo pro Leblão! Ver os bar! Sincera e
honestamente, nossos bar aqui da região dão de mil a zero. Bar que não tem pão
com bolinho pra vender não é bar, me desculpe! Então resolvemo fazer aquele
programa pra fazer um “H” com a patroa e fomo pro shopcentes. Aquela papagaiada
toda né, anda pra lá e pra cá, vê um monte de coisa e não compra nada. Pelo
menos deu pra ver uns conhecido. Vimo
Mas o pior foi a papeleira que a Krigalene fez no hotel. A gente tava chegando e ela começou a gritar do nada: “Olha o Júnior! O Júnior! Olha!”. Pensei que era o Júnior do Flamengo, olhei e não vi. Perguntei: “Aonde sua pamonha, cadê o Júnior?”. E ela: “O Sandy & Júnior seu tanso, ali ó!”. E não é que era o irmão da Sandy mesmo. Pensei comigo, deve tá quebrado, pra tá no mesmo hotel que nóis! A patroa bateu uma foto com ele, mas coitada, ficou com a mão na boca na hora. Daí ele perguntou: “Por que a senhora colocou a mão na boca? Ficou com vergonha?”. E a Krigalene muito da palerma: “Não, é dente cariado mesmo!” É o fim do mundo, né Lauritx!
Chegou o domingo, então liguei praquele teu amigo lá do Rio, o Marcelão, pra ele dar uma banda conóis pelas praia, pra Krigalene conhecer! Copacabana, Ipanema, Leblão, Pepino, São Conrado, Pepê, Barra, olha tomamo um chá de táxi que vou te contar, mas mesmo chovendo, se tem um lugar bonito pra conhecer, esse lugar é o Rio de Janeiro. Imagina nóis com chuva em São Paulo? Vai ver o que? Cimento? Já era meio da tarde e paramo pra comer uma picanha. Pedi uma picanha com fritas, só que não veio nada junto, nem arroz, nem farofa, nada. Chamei o garção e pedi. O arroz veio, mas a farofa nada! Eu já tava ficando irritado e já tinha pedido pro cara umas três vezes. Na quarta o cara veio com a farofa. O cara bufava, Lauritx: “Então o senhor quer farofa, né! Então pega aqui!” Home do céu, o cara colocou tanta farofa no meu prato que parecia que tinha descarregado um carrada de areia em cima. Tive que pedir outra faca porque a minha sumiu, sem palhaçada! Se eu fosse bom, fazia um castelinho com aquela farofa toda! Tive que tomar quarenta e sete chopp da Brahma pra desembuchar!
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Já era quase 6 da tarde e o Marcelão deixou nóis no hotel. Peguei meu celular que tava carregando e fui ver se tinha alguma mensagem dos meus amigo vascaíno. Nada! Olhei pela janela do hotel, nada de passeata. Aí recebi uma mensagem do Nelsinho, meu cunhado botafoguense: “BI-VICE inédito!”. Não sei por que, mas na hora eu me lembrei daqueles teus amigo do programa DOBERRO, que são tudo vascaíno, e pensei comigo: “Já que eles são tudo vascaíno porque o programa deles não passa na segunda?”. Seria o mais certo, né Lauritx! Essa semana vô ligá pro Gelain da Araguaia e pro Papalégua da TVB pra ver se não dá pra trocar!
Já era segunda-feira, hora de ir embora pra Brusque. Era o último café da manhã de rico que eu ia tomar! Me preparei bem, fiquei 12 hora sem comer nada, parecia o Vitor Belfort indo pra pesagem do UFC. Quando eu cheguei no café o cara da recepção já saiu correndo pra ir no mercado comprar mais ovo porque ele tava ligado em mim por causo dos outro dia e ele filmou que o negócio ia ser pesado. Tomei uma jarra de suco de laranja pra dar uma hidratada e parti pro ataque soviético no bifê. Dois pãozinho, dois potinho de manteiga, presunto, queijo... quando eu cheguei no ovo o cara tinha acabado de descarregar uma caçambada zerada, acho que ele colocou aquilo ali com uma “poclein”, só pode. Chapei o prato e olhei pro lado tinha aquela calabresinha frita com cebola, peguei né! E esse é o pecado que a gente faz, porque essa calabresa di certeza vai arder atrás no rabisteco depois, é garantido Lauritx! Enfim, a pratada ficou tão grande que nem sinal pegava mais no meu celular!
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E tu sabes que eu sou que nem francês pra comer né, eu tenho que ter primeiro prato, segundo prato, terceiro prato e às vezes até o quarto prato. Pois então, eu já tinha comido toda a produção diária de um galinheiro desses grande quando fui pela hexa vez ao bifê e olhei uma torrada com uma rodela de tomate em cima e em cima do tomate tinha uma bola branca, parecia que era um bola de sorvete de maionese. Não resisti, resolvi encarar! Meio desconfiado, dei a primeira garfada e descobri que aquilo em cima do tomate era um ovo cozido no meio de uma bola de maionese. Tu não tens ideia, era a Disneylândia do ovo Lauritx, pensa numa coisa boa! Comi uns cinco desse só pra gravar o sabor, coisa mais linda do mundo, ô!
Quando eu tava saindo do café, o cara me chamou e perguntou se eu ainda iria comer ovo. Eu disse que não e o cara berrou: “Severino, ô Severino! Pode tirar o revólver da cabeça da galinha!” . Ô Lauritx, tu não vais acreditar, o cara tava com um revólver apontado pra cabeça da galinha pra ela ficar botando ovo só por causa de mim. Fiquei com dó da tadinha, ainda bem que ela não comeu a calabresa! Mas é isso aí Lauritx, mais uma passeada no Rio, não tem coisa melhor! Só faltou conhecer a casa do Tufão, mas essa visita vamo deixar pra próxima quando a casa dele tiver pacificada! Abraço!
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* coluna publicada no Jornal Município Dia a Dia de 4 de maio 2012





