Ir para o conteúdo

Luis Carlos Cruz avalia trabalho no Carlos Renaux e revela surpresa e tristeza com demissão

Treinador foi despedido logo após empate em casa com o Nação; clube segue com chances de classificação ao G-2

Logo após o empate sem gols entre Carlos Renaux e Nação neste sábado, 19, no Augusto Bauer, o técnico Luis Carlos Cruz foi demitido do Vovô do futebol catarinense, para surpresa do elenco e do próprio treinador. Cruz relata que soube da demissão ainda no vestiário, quando o time viu o anúncio nas redes sociais do clube.

Com o baque, alguns jogadores manifestaram intenção de deixar o clube, em solidariedade a Luis Carlos Cruz, que prefere que os atletas permaneçam e terminem o trabalho com o acesso à Série A. "Eu pedi para que não saíssem. Mas aí são decisões pessoais, que saem da minha alçada. Mas eles que vão decidir. Falta tão pouco", afirma o técnico.

No dia seguinte, com os demais resultados da oitava rodada, ficou confirmada a classificação do Carlos Renaux à segunda fase da Série B do Campeonato Catarinense. O clube ainda tem chances de passar direto às semifinais, precisando de uma vitória sobre o Camboriú em Imbituba e de um empate entre Metropolitano e Juventus.

Após quatro meses de trabalho, desde antes da pré-temporada, Luis Carlos Cruz deixa Brusque e se reúne com a família. Quer aproveitar o tempo para cuidar da saúde e se recuperar da demissão inesperada. Afirma já ter recebido sondagens de dois clubes desde sua saída, mas não pretende aceitar propostas imediatamente.

Enquanto isso, o Carlos Renaux confirmou Diego Correa, técnico do time Sub-17, para comandar a equipe principal na sequência da Série B.

Cruz observa jogada de Guga em Jaraguá do Sul | Foto: Gleison Roos/Agência Mais Impacto

Formação do elenco


Luiz Carlos Cruz chegou ao Carlos Renaux em março. Chegava ao clube como o atual campeão do Catarinense Série B, comandando o Caravaggio rumo ao título. Na elite, não conseguiu evitar a queda do time de Nova Veneza, mas a expectativa era de um novo acesso, desta vez com o Vovô do Futebol Catarinense.

O clube foi formado a partir das categorias de base, nas categorias Sub-17 e Sub-21. Luis Carlos Cruz trabalhou em conjunto com os treinadores e faz elogios."O Diego [Correa] é um cara experiente, já vinha do Marcílio Dias, trabalhava com o Schwenck [nas categorias de base]. O Sub-21, na mão do Agenor [Cipriano], é outro grande trabalho. O Agenor é um cara daí, que, na minha opinião, tem que ser mais reconhecido pelo que faz."

Somando-se às categorias de base, foram contratados os jogadores profissionais para completar o elenco. Alguns deles já haviam trabalhado com Luis Carlos Cruz recentemente, como o volante Henik e o meia Flaviano.

O treinador estima que o Renaux tenha a sexta maior folha salarial do Campeonato Catarinense, mas relata que o time foi montado pensando no acesso, tanto por sua própria contratação, enquanto campeão do ano anterior, quanto pelo elenco formado.

Gleison Roos/Agência Mais Impacto

Demissão


O empate com o Nação no sábado, 19, foi a terceira partida consecutiva sem vitórias. Antes, o Renaux havia perdido para o Tubarão fora de casa, com gol nos acréscimos do segundo tempo; e empatado com o Metropolitano no Augusto Bauer. A equipe brusquense ocupava o terceiro lugar, mas voltaria à quarta posição com Metropolitano x Juventus no dia seguinte.

"Eu soube pela rede social. Nós estávamos no vestiário conversando, preparando a semana seguinte depois do jogo. Eu deduzia que nós estávamos já classificados [o que se confirmaria no dia seguinte]."

"Imagina, o capitão do time pega o celular, e mostra o anúncio para o presidente no vestiário. Ele pergunta 'isso aqui é verdade?. E o presidente disse 'vai, mas isso aqui não era para sair agora'. Quer dizer, eu já estava demitido, conversando sobre o trabalho da outra semana. Mas tudo bem, aí eu não vou julgar", completa.

O treinador não dá mais detalhes sobre o ocorrido no vestiário, mas afirma que, surpreso e irritado ao ver a notícia, se retirou do local pouco depois. Informações preliminares são de que houve um bate-boca, com jogadores protestando contra a demissão.

Cruz nega que a diretoria do Carlos Renaux tenha tentado interferir diretamente em escalações, substituições ou decisões táticas. "Não, isso não. Agora, opiniões diferentes existem, é normal. Só que a gente é profissional do futebol e se prepara. E quando se contrata uma comissão como a nossa, você tem que confiar e acreditar."

Desde 2018, quando voltou ao futebol profissional, o Carlos Renaux só não trocou técnicos durante a temporada em três ocasiões: com Taico e Felipe Romário, na Série C estadual de 2018 e 2019, respectivamente; e Silvio Criciúma, na Série B estadual de 2024.

Gramado sintético


Jogando no Augusto Bauer, o Carlos Renaux obteve duas vitórias e dois empates sob o comando de Luis Carlos Cruz, com dois gols marcados e nenhum sofrido. Foram as primeiras vitórias do clube no estádio desde 2022, já que o Renaux não jogou no Augusto Bauer em 2024 e em 2023 não obteve nenhuma vitória no local.

Perguntado sobre as condições do gramado, e a experiência de ter seu time como mandante no gramado sintético, Luis Carlos Cruz compartilhou suas impressões.

"É excelente para trabalhar, porque você não depende de intemperie nenhuma, nem de chuva, nem de sol. Você treina quando você quiser. Este é um primeiro ponto. Segundo, sempre se disse que há um monte de lesões, e nós não tivemos nenhuma por conta do sintético."

"Você tem que molhar o gramado para trabalhar e jogar. Quanto mais molhado, melhor, ele fica mais macio. Senão ele fica duro, e aí muda o tempo da bola. E, também, é só minha opinião: o campo é muito usado. Nós usamos, a base usa, ele é alugado, tem futebol amador, pelada. Então, ele é muito usado. Talvez o tempo de vida do gramado fique mais curto pelo desgaste. Mas é opinião. É necessário um estudo, um especialista."

Saldo do trabalho


Ainda assimilando a demissão, Luis Carlos Cruz faz um balanço positivo do trabalho no Carlos Renaux, e divide o crédito com elenco e comissão técnica.

"Não é um trabalho só me, foi bem feito por todos. Pode ser colhido o fruto, porque o time está classificado. Pode ser o segundo colocado e, mesmo que não seja, vai para uma situação de mata-mata e tem todas as chances de subir."

"[A demissão] é um fato que eu não esperava, então é uma tristeza muito grande. Eu tenho que lidar com ela agora para ter saúde mental, seguir minha vida e entender que às vezes, nos propósitos da nossa vida, isso aí também faz parte."

O treinador também relata que segue na torcida para que o Carlos Renaux suba à elite estadual e confia no seu sucessor. "Eu tenho uma amizade com o Diego [Correa], é um cara do bem. Ele conhece o grupo, a gente conversava muito,. Conversava com ele e com o Agenor, que são dois treinadores que eu ouvia muito."


Assista agora mesmo!


Festa do Búfalo marcou época em Botuverá com carne exótica, acampamento e jipeiros:


Siga-nos no Instagram
Entre no canal do Telegram
Siga-nos no Google Notícias