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O fim e o começo

Acreditar que o mundo vai acabar nesta sexta, 21 de dezembro, é como acreditar no Papai Noel, na Fada do Dente ou que o Lula não sabia do mensalão. Mas há algo muito interessante e salutar nessa ideia, afinal, se o dia 21 evoca algum tipo de fim, o dia 25 nos recorda que é sempre possível começar de novo.

Uma interpretação mais recente da profecia maia fala do encerramento de um ciclo, algo calculado pelo movimento dos astros e outros babados cósmicos que eu não entendo muito bem e não sei se têm de fato alguma influência na vida cotidiana de cada um de nós.

O dia 22 certamente nascerá sem que percebamos nenhuma mudança. Mas o fim de um ciclo e o início de outro, no que se refere à nossa vida pessoal, depende exclusivamente de uma decisão da nossa parte. O que é certo mesmo é que o relógio da vida continua marcando o tempo e o mundo acaba pra muita gente todos os dias, nos leitos dos hospitais, nos acidentes de trânsito, na violência urbana e em tantas outras circunstâncias. Não é necessário esperar um cataclismo de proporções planetárias para refletir sobre a rota que estamos seguindo e, se for o caso, mudar o curso, entrar num novo ciclo..

Vivemos uma época de muitos excessos, na comida, na bebida, na diversão, no consumo, e também de pouca responsabilidade e pouca disciplina. Tudo isso mina o caráter, leva ao vazio existencial, à corrupção, à violência. Muitos jovens estão atravessando a terceira década da vida ainda como se estivessem com 6 anos de idade e como se o mundo fosse um playground de jardim de infância, com brinquedos mais perigosos. Temo pelo futuro de uma geração que se prepara tão mal para ele, pois quanto mais se desce a ladeira, maior é o esforço necessário para a subida.

Mas há muita coisa e muita gente boa no meio dessa confusão, mesmo que o bem faça menos barulho e tenha menos Ibope. Muitas crianças e jovens parecem ter nascido com um “quê” diferente. Parece que já vieram cansadas e com certo nojo dessa frivolidade que assola o nosso tempo, e muitas vezes são mais maduras que seus pais. Querem estudar e aprender de verdade, valorizam seu tempo, têm um senso ético apurado. Se nós adultos pudermos lhes dar algum suporte, e evitar que esmoreçam, é possível preservar a esperança de que não será necessária uma hecatombe para varrer a humanidade decadente, como nas metáforas do dilúvio ou da destruição de Sodoma. Cada um de nós pode decidir fazer parte dessa geração nova, refinar o seu gosto, melhorar suas escolhas, re-ciclar.

Ainda é dia 18 e você está vivo! Pode decidir começar hoje um novo ciclo na sua vida. Se acabar tudo no dia 21, ou antes, pelo menos você terá tentado. Se não acabar, haverá um motivo a mais para celebrar no dia 25. A vida sempre se renova, e com ela nossa esperança.

Feliz Natal, ou Feliz Fim do Mundo. O que vier antes!