Há 160 anos: como funcionava o transporte de dinheiro para a colônia Brusque
No mundo da internet em que estamos mergulhados, fazemos transferência de dinheiro de forma instantânea para qualquer pessoa e qualquer parte do mundo. É o milagre do computador, principalmente, desse aparelhinho mágico que não sai das nossas mãos ou bolsos e que nos deixa conectados com uma infinita rede de informações.
Lembrei-me disso porque Maximiliano von Schnéeburg, fundador e primeiro Diretor da Colônia Brusque, enfrentou sérios problemas pela demora no transporte dos recursos orçamentários. Por ser um estabelecimento oficial, cabia ao governo imperial fazer chegar às mãos dos seus diretores o dinheiro necessário para as despesas com funcionários, subsídios e salários do colonos, obras públicas, educação, saúde. No entanto, o dinheiro nem sempre chegava a tempo e isso causava sérios problemas e atribulações ao Diretor.
Num documento assinado em março de 1863, arquivado na Casa de Brusque, o Barão refere-se à “incerteza e imprevisibilidade” na liberação dos recursos orçamentários de cada trimestre. Era um problema sério para a direção, que precisava quitar as despesas correntes obrigatórias, mas nunca tinha certeza de quando o dinheiro chegaria aos cofres da Colônia.
Para o Diretor, era preciso mudar a forma de transporte, pois a remessa de dinheiro do Desterro a Itajaí era feita por via marítima. Conforme a data de partida das embarcação, a viagem demorava, no mínimo, seis dias. Além disso, o custo era alto, devido à remuneração cobrada pelos mestres das embarcações, que não assumiam nenhuma responsabilidade por eventuais perdas dos valores transportados. Assim, o Diretor sempre ficava na incerteza da data em que o dinheiro chegaria a Itajaí.
O pior é que a viagem não terminava naquele porto. O Barão ainda tinha que mandar “pessoas de confiança descer o rio Itajaí-Mirim em canoa para buscar o dinheiro na Vila de Itajaí”. Assim, com “novas despesas e risco sem responsabilidade dos canoeiros, seriam mais 6, 8 ou mais dias conforme as águas do rio Itajaí-Mirim”, até que o dinheiro, finalmente, chegasse à sede da Colônia.
O atraso era frequente e deixava Schnéeburg sem dinheiro para pagar as despesas obrigatórias, especialmente, os subsídios pagos aos colonos chegados a menos de um ano e os salários daqueles que trabalhavam na abertura dos caminhos e estradas. A falta de pagamento gerava uma situação de “turbulência dos jornaleiros necessitados”, além de ser “motivo de desgostos, desordens e desânimo”. Schnéeburg se via em apuros, pois colonos o acusavam de não se empenhar para conseguir o dinheiro e de tê-los abandonado.
Durante sete anos, mesmo doente e envelhecido, o Barão de Schnéeburg trabalhou com extrema dedicação e competência para a implantação da Colônia Brusque, que vai completar 165 anos de fundação no próximo dia 4 de agosto. Mas não foram poucos os problemas, as atribulações, a incompreensão e as reclamações quase sempre injustas dos colonos.