Opinião Raul Sartori: família Bolsonaro quer transformar política de SC em curral eleitoral
Curral 1
Os Bolsonaro acham que podem mandar e desmandar na política catarinense. Saiu ontem a informação de que aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) têm buscado alternativas para mantê-lo no mandato mesmo morando fora do país, após o fim oficial de sua licença, findada domingo. Uma das apostas do grupo -e há conversas em andamento – é emplacá-lo em uma secretaria estadual em governos aliados, como o de Jorginho Mello (PL), em SC, ou o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. O arranjo permitiria ao parlamentar permanecer licenciado com aval da Câmara, mantendo o mandato.
Curral 2
“O Globo” diz que o governador que aceitasse nomeá-lo teria que justificar ao eleitorado o pagamento de um salário de secretário a um político que reside no exterior. No caso de SC, onde Jorginho é um dos nomes mais alinhados ao bolsonarismo, a avaliação é de que o custo político seria menor. Com a proximidade da eleição de 2026, contudo, os cálculos podem mudar.
Reação institucional
A oposição bolsonarista tenta uma reação institucional às medidas cautelares contra Jair Bolsonaro. Sua fiel escudeira na Câmara dos Deputados, Caroline De Toni (PL-SC), protocolou um requerimento para convocar uma sessão extraordinária remota. A pauta teria apenas três projetos, entre eles o que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Os outros dois alteram a Lei do Impeachment para ministros do Supremo Tribunal Federal e a impõem prazos e critérios para tramitação de pedidos de afastamento no Senado.
“Não é Não” 1
O Ministério Público de SC instaurou um procedimento administrativo com o objetivo de verificar a implementação do Protocolo "Não é Não" em ambientes de entretenimento e eventos esportivos no Estado. A iniciativa visa garantir a proteção das mulheres e prevenir situações de constrangimento e violência de gênero em locais como casas noturnas, boates, shows com venda de bebida alcoólica e estádios esportivos.
“Não é Não” 2
O Protocolo “Não é Não” representa um marco na qualificação do acolhimento às mulheres em situação de violência, ao estabelecer diretrizes claras para o atendimento respeitoso, ágil e humanizado. Ele orienta profissionais a reconhecerem os sinais da violência, escutar com empatia e garantir respostas céleres e eficazes.
Luxo 100%
Quem paga dezenas de milhões para viver nos arranha-céus de grife que se multiplicam Brasil, tem que subir e descer em um veículo à altura das cifras, literalmente. Em cidades como Balneário Camboriú, empresas de elevadores estão produzindo modelos exclusivos para o segmento, feitos de forma quase artesanal, como um produto de prateleira. Além de vidros inteligentes e acabamentos especiais de inoxidável dourado, incluem conectividade Bluetooth.
Atitude
Os trocentos influencers de Criciúma e região receberam, subliminarmente, um recado daqueles que tanto bajulam, por interesses diversos, mas sempre inconfessáveis: não mais referir-se a eles como “milionários”, e sim qualificações menos visíveis à Receita Federal, como “abonados” ou “caixa alta”.
Letramento racial
Em Palhoça, uma lei municipal definiu que o letramento racial – o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena – fosse apenas na rede pública de ensino. O Ministério Público recomendou a alteração da legislação para que a exigência deixasse de ser facultativa e fosse obrigatória também nas escolas privadas. Uma bobagem. Os cerca de 80% de catarinenses de ascendência europeia nunca cobraram, como obrigação, a história da Europa como conteúdo de ensino de suas escolas. Seria cabível, por exemplo, nas escolas da Bahia.
Cachaça
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, SC é o Estado com maior crescimento no número de marcas de cachaça. Saltou de 468 em 2023 para 614 em 2024. A produção envolve 73 fabricantes, o que coloca SC em quarto lugar no ranking nacional de produtores, atrás de Minas Gerais (501), São Paulo (179) e Espírito Santo (81). Em SC cada estabelecimento tem em média oito rótulos registrados.
Casamento precoce
A deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) foi relatora de projeto, no qual deu parecer favorável, para que se declare a nulidade, em qualquer caso, do casamento de pessoas que não atingiram 16 anos de idade, a chamada idade núbil. Entende que a lei não deve facilitar o casamento do homem e da mulher com tal idade, passando a exigir a autorização de somente um dos pais ou representantes legais. Para ela a manutenção da autorização de ambos é recomendável.