Junho festivo
Junho, em nossa Cultura brasileira, firmou-se como um mês festivo. Começou nos pátios ou adros das igrejas, nas festas dos padroeiros das igrejas e comunidades cristãs católicas. Junho é o mês que se celebram as memórias dos Santos mais populares. Santo Antônio de Pádua ou Santo Antônio de Lisboa (dia 13 de junho). Para os italianos, é denominado, por eles, “de Pádua”, porque foi lá que viveu boa parte de sua vida. Lá, também, fez suas célebres pregações e seus milagres em vida. Lá, também, está seu Santuário mais famoso. Já, os portugueses, consideram-no “de Lisboa”. Com razão, pois ele, de fato, nasceu em Lisboa. Mas, viveu sua vida quase sempre fora de Portugal.
Outro Santo que também se tornou muito popular, no Brasil, é São João Batista (24 de junho), primo de Jesus de Nazaré, nascido na Galileia. Filho de Isabel e Zacarias, duas pessoas idosas. Mas, por graça particular de Deus, embora Isabel fosse estéril e idosa, concebeu João, como relata o evangelista Lucas, no seu Evangelho. Decapitado por um carrasco de Herodes, a pedido de sua enteada, filha da esposa de seu irmão, que Herodes tomou para si, como companheira. A cabeça de João Batista foi trazida à enteada, que, por sua vez, entregou-a a Herodes, num prato, durante sua festa de aniversário com toda a Corte e convidados. Toda a trama foi arquitetada por Herodíades, companheira de Herodes, ex-esposa de seu irmão.
Por fim, São Pedro, dia 29 de junho, festejado junto com São Paulo. Pedro chamava-se Simão. Jesus, porém, trocou-lhe o nome por Pedro. Nome relacionado a pedra, rocha. Jesus quis simbolizar com nome a missão que iria receber, no futuro: ficar em seu lugar para liderar o grupo dos Discípulos, escolhido pelo próprio Jesus, e ser ponto de união entre eles e conduzir a Igreja, em nome de Jesus. Jesus entregou os mesmos poderes que ele tinha a Pedro e aos outros Discípulos. Pedro, porém, colocou-o como “primus inter pares” (primeiro entre os iguais).
Esses três Santos motivaram as Chamadas “Festas Juninas”. Começaram com as celebrações das “Novenas” (Nove dias de orações e celebrações em preparação da “Festa do Padroeiro” da Igreja da Comunidade). Após à celebração havia sempre uma “Quermesse”, com “comes e bebes” típicos de cada Região. Contudo, algumas comemorações se tornaram comuns, lembrando o Santo festejado. Por exemplos, lembrando Santo Antônio, casamentos, namorados, ... São João, lembrando que ele trouxe muita alegria nas famílias pelo seu nascimento, daí bandeirolas, cânticos, danças, comidas.... São Pedro, lembrando-o como pescador, barcos, procissões marítimas ou por rios, etc.,
A partir dessas quermesses, a criatividade e inventividade foram agregando sempre mais elementos festivos, ao longo dos anos. Dessa forma, foram se consolidando belas e divertidas festividades ao longo de quase todo o mês de junho. Em algumas Regiões estenderam-se pelo mês de julho. Foram tomando conta de boa parte dos folguedos do meio do ano. Começaram a entrar nas escolas, clubes, praças das cidades, espaços que favoreciam ajuntamento do povo. Deixaram de ser, apenas, ligadas às Igrejas de origem e se tornaram comemorações culturais, cada Região do Brasil com sua marca própria, com grande participação do povo. Festas bem populares.
Com o tempo, tornaram-se fonte de recursos para Grupos variados, apelo ao turismo regional, até “palanque” de políticos, ávidos de oportunidades para conquistar votos. Todavia, são um traço cultural bem brasileiro e que encanta muitos estrangeiros.