Polônia: partilhas, reconquistas e independência
No dia 25 de agosto, comemoramos os 156 anos da chegada do primeiro grupo de poloneses no Brasil. Como este primeiro grupo foi instalado em Brusque, coube à cidade o título de “Berço da Imigração Polonesa no Brasil”. Era o ano de 1869, num tempo em que a Polônia havia desaparecido do mapa político da Europa, pois estava dividida entre as três potências europeias – impérios da Rússia, Prússia e Austro-Húngaro.
Uma síntese das Partilhas da Polônia é apresentada pela professora Mari Ines Piekas (2018), informando que em 1772 aconteceu a “primeira partilha”. A Áustria tomou a Galícia, a Rússia conquistou a maior parte da Bielorrússia e o Império da Prússia obteve o controle do Sul do Báltico e da Pomerânia.
Em 1793 aconteceu a “segunda partilha”. A Rússia dominou todo o resto da Ucrânia, enquanto a Prússia absorveu a Posnânia. Em 1794, o “Levante de Kościuszko”, uniu todas as classes sociais polonesas numa insurreição contra o Império Russo, porém, suas tropas foram suplantadas ao final do mesmo ano. E a história registra que, finalmente, em 1795 ocorre a “terceira partilha”, e a Polônia desaparece do mapa político da Europa por longos 123 anos.
Ao longo de todos esses anos, os poloneses – destituídos de seu país, divididos entre seus invasores, e perseguidos -, conseguiram cultivar suas tradições e manter sua identidade, para o que contribuíram as várias tentativas militares e políticas de rompimento com a opressão. As obras dos artistas e a cultura também foram importantíssimas para manter a identidade nacional.
Durante o período sob domínio das três potências europeias – impérios da Rússia, Prússia e Austro-Húngaro, os polacos desenvolveram a habilidade de auto-organização, tanto na esfera política quanto educacional e, nesta luta, foram apoiados por inúmeros sacerdotes, consolidando o papel especial da Igreja Católica na história da Polônia. De acordo com Jarosław Szarek (2017), a soma destas experiências conduziu à reconquista da independência da Polônia.
Com o início da 1ª Guerra Mundial, os impérios Alemão, Russo e Austro-Húngaro estavam profundamente comprometidos com a guerra. Ao final dos conflitos, em 1918, esses impérios haviam perdido vastas extensões de seus territórios ou deixado completamente de existir. As Legiões Polonesas, comandadas por Jósef Piłsudski, aliadas a ações diplomáticas, finalmente garantiram a independência da Polônia em 11 de novembro de 1918.
Passados 123 anos, em novembro de 1918 a Polônia recuperou sua independência, numa fase histórica conhecida como "Segunda República Polaca". A independência foi reafirmada após uma série de conflitos, em especial a Guerra Polaco-Soviética (1919-1921).
Em maio de 1926, o “Golpe de Maio” entregou as rédeas da república polaca ao movimento Sanacja (uma coalizão em busca da "limpeza moral" da política do país). Este movimento controlou a Polônia até a eclosão da 2ª Guerra Mundial, em 1939, quando tropas nazistas e soviéticas invadiram o país e a Polônia foi partilhada em duas zonas, uma ocupada pela Alemanha e outra, a leste, ocupada pela União Soviética.
Ao final da 2ª Guerra Mundial, as fronteiras da Polônia foram movidas na direção Oeste, de modo a levar a fronteira oriental para a linha Curzon, e a fronteira ocidental passou a ser a Linha Oder-Neisse, e é a atual fronteira entre Alemanha e Polônia. A nova Polônia emergiu 20% menor em território, e o redesenho dos limites forçou a migração de milhões de pessoas, principalmente de polacos, alemães, ucranianos e judeus.
Minorias polonesas ainda estão presentes em países vizinhos, como Ucrânia, Bielorrússia e Lituânia, assim como em outros países, incluindo o Brasil. O número de poloneses étnicos que vivem no exterior é estimado em torno de 20 milhões, distribuídos em mais de 90 países do mundo.