Ir para o conteúdo

Por um certo Reino

Quando o profeta Isaías anunciou que nasceria o Messias, fez questão de enfatizar que ele seria um grande libertador, que livraria o povo do jugo da opressão, que seu reinado seria de Paz e de Justiça. Há um evidente conteúdo político na mensagem do profeta. Aliás, o tal rei seria da linhagem de Davi, o que reforça a interpretação política da mensagem. A palavra “Messias”, traduzida para o grego, é “Cristo”, e em português significa “Ungido”. A unção era um ritual fundamental para os reis. Sua autoridade vinha desse sinal sacramental, pois, no mundo antigo, todos aceitavam a ideia de que o poder político de um rei vem de Deus. Nada mais natural, então, que se esperasse um rei ao estilo de Davi ou Salomão.

Mas eis que o tal Messias veio e não foi reconhecido. Claro! Como poderia um carpinteiro de uma cidadezinha inexpressiva preencher os requisitos da indicação do profeta? Onde está o reino de Paz e Justiça? Parece que quanto mais a história avança, mais o ódio e a guerra, a degradação e os instintos dominam o mundo. A inteligência, a cortesia e os bons costumes se degradam a cada dia, embalados pelo funk, pelo sertanejo universitário e pelas novelas. A corrupção se tornou um câncer alastrado na nossa nação, a ponto de corruptos de alta patente serem considerados heróis. O que aconteceu então? Será que o Natal é mais um engodo, uma promessa não cumprida?

Para quem imagina que essa libertação e esse Reino de Paz e Justiça devam vir através da política humana, já passou da hora de acordar dessa letargia. Malgrado o fato de que devemos fazer todo o possível para melhorar a política, os reinados humanos parecem indelevelmente marcados pela corrupção. Os que compreenderam a mensagem desde o início viram que o tal Reino era de outra ordem. Ele já está instalado e tem muitos habitantes, mas a libertação que ele traz é para a opressão que debilita o coração de cada pessoa. Essa Paz e essa Justiça habitam o interior de quem se apaixonou pelo Reino e deixou que ele florescesse dentro de si. Talvez não haja caricatura mais ridícula de Jesus como a de imaginá-lo como um militante de esquerda e incluir sua mensagem na utopia comunista. Os comunistas levaram a corrupção e a injustiça ao seu mais alto grau. Não há mudança significativa de fora para dentro, a mudança começa no coração.

Se você quer dar algum sentido ao seu Natal, considere a hipótese de começar a mudar o mundo a partir de você mesmo(a). Se você vier habitar esse novo Reino, ele terá crescido de maneira significativa. Saia do exílio, e tenha um Feliz Natal!