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Rosa de Hiroshima

Há 68 anos, no dia 06 de agosto de 1945, foi lançada a primeira bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. Três dias depois, outra bomba seria lançada sobre Nagasaki, forçando a rendição do Japão e pondo fim à Segunda Guerra Mundial. Ao todo, as duas bombas provocaram mais de duzentas mil mortes diretas e inúmeras outras, resultantes dos efeitos da radiação.

O horror dessa experiência deveria ter ensinado muita coisa à humanidade, mas o fim da guerra apenas incrementou ainda mais a corrida armamentista, que se estabeleceu entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Quando eu era criança, as aulas de história eram recheadas de especulações acerca da possibilidade de uma nova guerra, em que fosse utilizada mesmo uma ínfima parte do arsenal nuclear acumulado pelas grandes potências. O final da década de 1980 nos trouxe um respiro, com o fim das hostilidades declaradas entre os grandes inimigos, embora as armas nucleares não tenham sido destruídas.

Mas independente do poder destruidor das armas de que se dispõe hoje, algo continua igual ou pior do que sempre foi: esse instinto belicoso do ser humano, cujos interesses o colocam com muita frequência em situação de guerra, declarada ou tácita.

As guerras ocupam um espaço enorme nos livros de história. Grandes personagens só se tornaram grandes pelo poder de seu exército ou pela sua capacidade estratégica para dominar e controlar o maior número possível de pessoas e povos. Alexandre, Aníbal, Júlio César, Napoleão, Hitler e tantos outros se tornaram notáveis pelas conquistas que empreenderam e pelo domínio que conseguiram estender. Na Grécia antiga, a guerra era o elemento mais proeminente da cultura, até que Atenas começasse a se destacar pela filosofia e pela política. Os meninos gregos eram educados tendo como modelo o guerreiro Aquiles, que preferiu lutar em Troia a permanecer na sua cidade, porque a morte em combate lhe daria a notoriedade e o heroísmo que uma vida pacífica e tranquila jamais poderia dar. É realmente notável que tanta energia, tanto talento e tantos recursos tenham sido despendidos em guerras, nas quais o sacrifício de milhares possibilita a fama e o poder para alguns.

O espírito da guerra se alimenta da nossa incapacidade de tolerar, conviver e aceitar quem pensa ou sente diferente de nós. Enquanto cultivarmos a intolerância e a truculência no nosso cotidiano, estaremos alimentando o mesmo monstro que destruiu Troia e Hiroshima, que está destruindo a Síria e que passeia pelas ruas das nossas cidades.